Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Saúde aumenta recursos para melhorar serviços do SAMU

investimento para ampliação e construção de Centrais de Regulação de Urgências está sendo dobrado. A medida tem como objetivo garantir atendimento rápido e eficaz à população
A rede de assistência aos usuários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) está recebendo um reforço para melhorar o atendimento à população. O Ministério da Saúde vai aumentar os recursos para custeio e dobrar os valores para ampliação ou construção de Centrais de Regulação das Urgências.  A verba de custeio do serviço, que é repassada atualmente pelo Ministério da Saúde a estados e municípios, terá um acréscimo de 19%, passando de R$ 744 milhões ao ano para R$ 884,2 milhões, um incremento de R$ 140,2 milhões para toda a rede. Já os valores para investimento nas Centrais de Regulação de Urgências serão reajustados em mais de 100%. 
As Unidades de Suporte Avançado (USA) e de SAMU Aéreo habilitadas (com equipes preparadas para procedimentos de alta complexidade) terão um acréscimo de 40%. Os recursos passam de R$ 27.500,00 para R$ 38.500,00 por mês. Já os valores das mesmas unidades qualificadas (que atenderam os requisitos exigidos pelo Ministério para comprovação da melhoria dos serviços) saltam de R$ 45.925,00 para 48.221,00/mês.
As Unidades de Suporte Básico (USB), que atualmente recebem de R$ 12.500,00 por mês, receberão R$ 13.125,00 e as USB qualificadas passam R$ 20.875,00 para R$ 21.919,00/mês. As USB são unidades que atendem a procedimentos de menor complexidade. As Centrais de Regulação de Urgências terão um aumento de 40% para manutenção dos serviços.
 Os recursos de custeio são destinados à capacitação de profissionais e à manutenção das equipes e equipamentos das unidades móveis, medida que beneficia cerca de 137 milhões de pessoas atendidas pelo serviço em todo o país. O ministro da Saúde Alexandre Padilha lembra que os recursos repassados para custeio e investimento do serviço tiveram aumento significativo nos últimos anos, saltando de R$ 469,8 milhões - em 2011 - para R$ 812,1 milhões em 2012. Até junho desde ano, já foram investidos R$ 178 milhões na manutenção do SAMU.
“Para garantir atendimento rápido e eficaz à população, os serviços do SAMU precisam contar com uma estrutura adequada. Por isso, o investimento na melhoria e na qualificação destes serviços tem sido uma preocupação constante do Ministério da Saúde”, observou o ministro. Segundo Padilha, com este incremento financeiro, os gestores poderão melhorar a infraestrutura do SAMU nos seus estados e municípios, possibilitando uma contribuição ainda mais significativa na redução do número de óbitos e do agravamento na saúde dos usuários deste serviço.
INVESTIMENTO - Os valores de investimento destinados à ampliação de Centrais de Regulação ou para construção de novas unidades também foram ampliados, conforme o novo recorte populacional. Os recursos aos municípios com até 350 mil habitantes terão aumento de 116%, passando de R$ 100 mil para R$ 216 mil. Já os municípios com 350.001 a três milhões habitantes receberão 133% de aumento, passando de R$ 150 mil para R$ 350 mil. Os municípios acima de três milhões habitantes terão 151% de aumento, passando de R$ 175 mil para R$ 440 mil.
Componente da Rede de Atenção às Urgências, o SAMU 192 tem contribuído para a redução do número de óbitos, do tempo de internação em hospitais e das sequelas decorrentes da falta de socorro no país. Atualmente, o SAMU conta com 181 Centrais de Regulação, presentes em 2.538 municípios. Em todo o país, o Ministério da Saúde já habilitou 2.969 ambulâncias, sendo 2.215 Unidades de Suporte Básico, 557 Unidades de Suporte Avançado e 197 Motolâncias. 
GESTÃO – O Ministério da Saúde, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União em abril deste ano, estabeleceu prazo de 60 dias para que gestores de todos os municípios cobertos pelo SAMU comecem a cadastrar seus veículos e Centrais de Regulação das Urgências. A medida visa aumentar a capacidade de controle do Ministério com relação aos serviços oferecidos pelo SAMU 192.

“Com este cadastro saberemos a produção do SAMU em todo País. Os gestores locais de saúde vão ter que demonstrar o funcionamento exato do serviço. Na prática, significa que as ambulâncias paradas não vão continuar recebendo recursos federais”, afirmou o Secretário de Atenção à Saúde, do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, na ocasião.

Além do cadastro, os gestores terão que informar, mensalmente, ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) sua produção. Os municípios que não atualizarem o banco de dados e não fizerem o registro sistemático da produção no sistema oficial do Ministério da Saúde por mais de três meses consecutivos, terão suspensos os repasses para custeio das Unidades Móveis do SAMU 192 e Centrais de Regulação das Urgências sem registro da produção. Assim que os gestores locais atualizarem o cadastro e voltarem a registrar sistematicamente a produção, o repasse de recursos será normalizado.

As medidas de controle que vem sendo adotadas pelo Ministério desde 2011 evitaram a redução de 89% do número de ambulâncias do SAMU 192 paradas no país. Em 2010, o Ministério doou um total de 1.511 ambulâncias para as Centrais de todo o Brasil. Destas, havia 1.200 ambulâncias em paradas. Atualmente, somente 160 ambulâncias ainda estão em processo de habilitação.
Por Tatiana Alarcon, da Agência Saúde/MS
Atendimento à Imprensa
(61) 3315-3580 e 3315-6249

Códigos utilizados via rádio no SAMU 192

No SAMU as equipes são acionadas via rádio pela Central de Regulação Médica para receber informações sobre o atendimento a ser prestado e posteriormente a equipe comunica a chegada ao local do atendimento, o local para onde será encaminhado o paciente e o fim do atendimento.
Para facilitar e agilizar a comunicação por esse meio é utilizado dois códigos internacionais - Código Q e Código Fonético, onde todos os membros da equipe conhecem essa linguagem, (telefonistas, médicos, enfermagem, condutores).
A comunicação via rádio fica desta maneira exemplo: ¨Qual o seu QTH?¨, ¨Qual o QRA da equipe?¨, ¨Equipe de QRV¨, ¨QTA na missão.¨ entre outros. 




Código Q Internacional

QAP - Permaneça na escuta
QRA - Nome
QRM - Interferência de outra estação
QRR - S.O.S. terrestre
QRU - Você tem algo para mim?
QRV - Estarei à sua disposição
QRX - Aguarde sua vez de transmitir
QSJ - Taxa, dinheiro
QSL - Entendido, confirmado
QSM - Repita a última mensagem
QSO - Comunicado, contato
QTA - Anule a mensagem anterior
QTC - Mensagem, Notícia
QTH - Local da estação
QTI - Destino.

Código Fonético Internacional
A - Alfa
B - Bravo
C - Charlie
D - Delta
E - Eco
F - Fox
G - Golf
H - Hotel
I - Índia
J - Juliet
K - Kilo
L - Lima
M - Myke
N - November
O - Oscar
P - Papa
Q - Quebec
R - Romeo
S - Sierra
T - Tango
U - Uniform
V - Victor
W - Whisky
X - Ex-Ray
Y - Yankee
Z – Zulu

Numérico

0 – Negativo
1 – Primeiro
2 – Segundo
3 – Terceiro
4 – Quarto
5 – Quinto
6 – Sexto
7 – Sétimo
8 – Oitavo
9 – Nono

7ª Expo Emergência começa na próxima terça-feira 30/07/2013

7ª Expo Emergência - Feira de Resgate, Atendimento Pré-Hospitalar, Combate a Incêndio e Emergências Químicas abre as portas na terça-feira que vem (dia 30 de julho) para os profissionais emergencistas de todo o país. Os visitantes terão traslado gratuito nos três dias da feira, que segue até 1º de agosto (quinta-feira). O trajeto disponibilizado pela promotora do maior evento do gênero do país será do Terminal Rodoviário Tietê até o Pavilhão Verde do Expo Center Norte, em São Paulo/SP, com ida e volta de 30 em 30 minutos. Neste mesmo período, o público poderá participar da 5ª Expo Proteção - Feira Internacional de Saúde e Segurança no Trabalho. As feiras contam com o patrocínio da Honeywell, da DuPont e do SESI.

Os horários de embarque no terminal rodoviário serão nos turnos da manhã, das 07h30min às 09h, e tarde, das 12h às 21h. Neste local, as vans ficarão à disposição dos passageiros no lado oposto do terminal rodoviário, no sentido bairro-centro. Na feira, as vans ficarão aguardando próximas à saída. Mais informações podem ser obtidas no balcão de atendimento da feira. 

Eventos paralelos - Mais de 35 eventos paralelos serão realizados durante as feiras. As pautas abrangem temas atualizados com as demandas dos profissionais de APH, Bombeiros e Defesa Civil. Palestrantes nacionais e internacionais se reúnem no evento para esclarecer dúvidas e mostrar as novidades do setor. 

Entre os principais encontros, estão o  Desafio Internacional Bombeiros Industriais 2013, o BrasilFire - 7º Seminário Nacional de Proteção contra Incêndio, o APH 2013 - Seminário Nacional de Atendimento Pré-Hospitalar de Emergências e de Resgate de Acidentados, o Workshop de Emergência e Proteção Contra Incêndio, o SENEQUIM - 6º Seminário Nacional de Emergências Químicas e o Indec - 4º Seminário Internacional de Defesa Civil. Conheça a programação completa

Expositores - O público poderá ficar a par das inovações em produtos e serviços dos principais fornecedores do mercado. Entre os expositores, constam desde fabricantes de equipamentos até entidades certificadoras internacionais.

Para facilitar o acesso ao evento, os visitantes podem  se credenciar antecipadamente. A entrada é gratuita e os crachás ficarão disponíveis para retirada durante a feira, na secretaria do evento.Acesse aqui para realizar seu credenciamento.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 4062.5454.

7ª Expo Emergência e 5ª Expo Proteção 
Data:30, 31 de julho e 1º de agosto de 2013 (terça, quarta e quinta-feira)

Horários:Feira: das 13h às 21h - Entrada Franca 
Eventos Paralelos: das 08h30min às 19h

Local: Expo Center Norte - Pavilhão Verde
Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme São Paulo - SP

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fonte: http://www.revistaemergencia.com.br/noticias/eventos/7%C2%AA_expo_emergencia_comeca_na_proxima_terca-feira_(30)/AJy4AQja
Foto: Valdir Lopes

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Tuberculose pleural


Tomografia de tórax: tuberculose pleural.


A tuberculose pleural é causa freqüente de derrame pleural, do tipo exsudato (que contêm muita proteína), e deve sempre entrar no diagnóstico diferencial de exsudatos pleurais. Na grande maioria das vezes, a tuberculose pleural implica uma reação de hipersensibilidade da pleura ao bacilo da tuberculose, o que explica a baixíssima positividade da pesquisa de BAAR, e uma cultura do líquido pleural positiva em menos de 30 % dos pacientes. Às vezes, bem mais raramente, pode haver ruptura de cavitação subpleural, o que se chama de empiema tuberculoso, com pesquisa de BAAR e cultura habitualmente positivos.

Sintomas

- Tosse seca, 
- Febre com sudorese noturna, 
- Dispnéia
Dor torácica (dor no peito).
A pessoa pode referir uma queixa mais arrastada (semanas a meses), onde ela refere falta de apetite  emagrecimento, sudorese noturna e febre vespertina.

Exames 


  • Exame do escarro com pesquisa do bacilo da tuberculose (BAAR = bacilo álcool-ácido resistente).
  • Teste cutâneo de tuberculina, ou Teste de Mantoux: negativo em 1/3 dos pacientes.


TRATAMENTO DA TUBERCULOSE

O tratamento da tuberculose deve considerar as diferentes populações bacilares (intra e extracelular), a multiplicação lenta do micro-organismo, as formas latentes do bacilo e a possibilidade de emergência de resistência. O perfil epidemiológico local também é importante na seleção do esquema terapêutico.
A primeira droga utilizada com sucesso na terapia tuberculostática foi a estreptomicina na década de 1940, constituindo importante avanço terapêutico. Com o desenvolvimento de cepas resistentes, optou-se pela combinação de drogas com ação em sítios e populações diferentes, diminuindo a emergência de resistência. Atualmente, no Brasil, o Ministério da Saúde recomenda a utilização do Esquema I para todas as formas clínicas de tuberculose, exceto as formas neurológicas, em pacientes virgens de tratamento ou que utilizaram o esquema por até 1 mês. Possivelmente, uma quarta droga (etambutol) deve ser acrescida ao esquema em um período de 2 anos, após o inquérito nacional de resistência micobacteriana.
As drogas utilizadas no Esquema I, em pacientes com função renal normal, são:

  rifampicina (R): 10 mg/kg/dia, até 600 mg/dia;
  isoniazida (H): 10 mg/kg/dia, até 400 mg/dia;
  pirazinamida (Z): 15 a 30 mg/kg/dia, até 2.000 mg/dia.

No Brasil, dispõe-se da formulação de rifampicina com isoniazida (300 mg + 200 mg), devendo ser administrado em jejum (1 hora antes ou 2 horas após). A pirazinamida deve ser utilizada com alimentos no café da manhã. O tempo de tratamento da tuberculose é de 2 meses com o esquema RHZ e de 4 meses de RH, totalizando o período de 6 meses.
O Esquema II, recomendado para as formas neurológicas, é composto pelas mesmas drogas do Esquema I, porém o tempo de tratamento é estendido, na 2ª fase, até o 9º mês:

  RHZ 2 meses;
  RH 7 meses.

O Esquema IR é recomendado para todos os casos com recidiva do quadro em um período menor que 5 anos ou abandono após 1 mês de tratamento. As drogas do Esquema IR para função renal são:

  rifampicina (R): 10 mg/kg/dia, até 600 mg/dia;
  isoniazida (H): 10 mg/kg/dia, até 400 mg/dia;
  pirazinamida (Z): 15 a 30 mg/kg/dia, até 2.000 mg/dia;
  etambutol (E): 25 mg/kg/dia, até 1.200 mg/dia.

O tempo de tratamento da fase inicial é de 2 meses com RHZE, completando-se 6 meses com RHE (4 meses).
O Esquema III é reservado para os casos de falha terapêutica ao Esquema IR, composto pela combinação das seguintes drogas, em pacientes com função renal normal:

  estreptomicina (S): 20 mg/kg/dia, até 1 g/dia IM;
  etionamida (Et): 12 mg/kg/dia, até 750 mg/dia;
  pirazinamida (Z): 15 a 30 mg/kg/dia, até 2.000 mg/dia;
  etambutol (E): 25 mg/kg/dia, até 1.200 mg/dia.

As quatro drogas são utilizadas por 3 meses, completando 12 meses com etambutol e etionamida. Os casos de multirresistência (MR) podem ser definidos pela resistência ao menos da rifampicina e isoniazida ou falência clínica ao Esquema III, quando não há perfil de sensibilidade disponível. A resistência pode ser dividida em primária ou secundária. A primária é definida pela aquisição inicial de cepa já resistente, enquanto a resistência secundária desenvolve-se durante o tratamento. O envio sistemático de amostras para cultura do BAAR aumenta a sensibilidade do método, permite a identificação da micobactéria e a execução do teste de sensibilidade (antibiograma), contribuindo para a escolha do melhor esquema em casos de resistência.
Em 2007, foram descritas cepas “extensivamente resistentes” (XDR-TB Extensively Drug-Resistant Tuberculosis) na África do Sul, caracterizada pela resistência a rifampicina, isoniazida, qualquer fluoroquinolona e qualquer droga injetável (amicacina, capreomicina, canamicina). Questões relacionadas à transmissão de cepas resistentes e as implicações do tratamento estão no centro da discussão mundial.

PROFILAXIA

A principal medida profilática é a aplicação da vacina BCG em recém-nascidos, com proteção variável e não duradoura. Nesta faixa etária, o objetivo principal é evitar apresentações graves como a neurotuberculose e formas disseminadas. A revacinação em pré-escolares e profissionais de saúde não é medida com eficácia estabelecida em diversos trabalhos.
Pode-se dividir a profilaxia medicamentosa em primária e secundária. A profilaxia primária é indicada para indivíduos em situação de risco para infecção, sem contato prévio com a micobactéria. Como exemplo, podemos citar o recém-nascido que habita um domicílio com pacientes bacilíferos. Ele não deve ser vacinado, optando-se pela introdução da isoniazida na dose de 10 mg/kg/dia. No 3º mês, deve-se realizar o PPD; caso seja reagente, prolonga-se a terapia até o 6º mês. Caso seja não-reator, interrompe-se a profilaxia e indica-se a vacina com BCG.
A profilaxia secundária é indicada para o tratamento da infecção latente por M. tuberculosis, após afastar a possibilidade de doença ativa. As indicações mais aceitas pela literatura são: conversão tuberculínica documentada em período < 2 anos ou condição imunodepressora que facilite a progressão da infecção latente para doença ativa. Contactantes de pacientes bacilíferos domiciliares e do trabalho devem ser investigados para formas ativas da doença e infecção latente. A droga de escolha é a isoniazida na dose de 10 mg/kg/dia (dose máxima de 300 mg/dia) por um período de 6 meses.
Em adultos, os valores de corte de interpretação são > 10 mm em indivíduos imunocompetentes e > 5 mm em indivíduos imunodeprimidos.

TÓPICOS IMPORTANTES

  A tuberculose pulmonar e as formas extrapulmonares são importantes causas de morbimortalidade, predominantemente em países em desenvolvimento.
  O agente etiológico da tuberculose é a Mycobacterium tuberculosis, um bacilo álcool ácido-resistente (BAAR), aeróbio estrito, com crescimento lento e cápsula com alto teor lipídico.
  A via respiratória é a principal forma de transmissão, a partir de partículas aerossolisadas de pacientes bacilíferos (forma pulmonar e laríngea). Cerca de 95% dos pacientes controlam a infecção (infecção latente), enquanto o restante desenvolve a forma primária da doença. A maioria que apresenta a infecção latente apresenta também um risco de 5 a 10% de reativação da infecção durante toda a vida.
  O teste anti-HIV deve ser oferecido a todos os pacientes com tuberculose ativa, independentemente da forma clínica ou da idade.
  A tuberculose é doença de notificação compulsória na confirmação diagnóstica, podendo-se utilizar os critérios microbiológico, histológico, radiológico ou clínico.
  O diagnóstico de tuberculose deve ser realizado com o envio de amostras (escarro, líquidos orgânicos ou fragmentos teciduais) para pesquisa e cultura de BAAR. Outros recursos também corroboram com o diagnóstico, como exames histológicos (evidência de resposta granulomatosa), exames de imagem, teste cutâneo (PPD), ADA (adenosina-deaminase), testes imunológicos e testes de biologia molecular.
  O Ministério da Saúde Brasileiro preconiza o uso dos Esquemas I, II, IR e III. Os casos de multirresistência devem ser referenciados para ambulatórios de referência.
  A multirresistência é definida como resistência a rifampicina e isoniazida, ou falência clínica ao Esquema III. As cepas extensivamente resistentes (XDR) são definidas pela resistência a rifampicina, isoniazida, qualquer fluoroquinolona e qualquer droga injetável (amicacina, capreomicina, canamicina).


SOLVENTES OU INALANTES - Cola de sapateiro, Esmalte, Lança-perfume e Acetona

SOLVENTES OU INALANTES (Drogas)-  Cola de sapateiro, Esmalte, Lança-perfume e Acetona

Definição

A palavra solvente significa substância capaz de dissolver coisas, e inalante é toda substância que pode ser inalada, isto é, introduzida no organismo através da aspiração pelo nariz ou pela boca. Em geral, todo solvente é uma substância altamente volátil, ou seja, evapora-se muito facilmente, por esse motivo pode ser facilmente inalado. Outra característica dos solventes ou inalantes é que muitos deles (mas não
todos) são inflamáveis, quer dizer, pegam fogo facilmente.
Um número enorme de produtos comerciais, como esmaltes, colas, tintas, tíneres, propelentes, gasolina, removedores, vernizes etc., contém esses solventes.
Eles podem ser aspirados tanto involuntária (por exemplo, trabalhadores de indústrias de sapatos ou de oficinas de pintura, o dia inteiro expostos ao ar contaminado por essas substâncias) quanto voluntariamente (por exemplo, a criança de rua que cheira cola de sapateiro, o menino que cheira em casa acetona ou esmalte, ou o estudante que cheira o corretivo Carbex® etc.).
Todos esses solventes ou inalantes são substâncias pertencentes a um grupo químico chamado de hidrocarbonetos, como o tolueno, xilol, n-hexano, acetato de etila, tricloroetileno etc. Para exemplificar, eis a composição de algumas colas de sapateiro vendidas no Brasil: Cascola® – mistura de tolueno + n-hexano®; Patex Extra® – mistura de tolueno com acetato de etila e aguarrás mineral; Brascoplast®
– tolueno com acetato de etila e solvente para borracha. Em 1991, uma fábrica de cola do interior do Estado de São Paulo fez ampla campanha publicitária afirmando que finalmente havia fabricado uma cola de sapateiro “que não era tóxica e não produzia vício”, porque não continha tolueno. Essa indústria teve um comportamento reprovável, além de criminoso, já que o produto anunciado ainda continha
o solvente n-hexano, sabidamente bastante tóxico.
Um produto muito conhecido no Brasil é o “cheirinho” ou “loló”, também conhecido como “cheirinho da loló”. Trata-se de um preparado clandestino (isto é, fabricado não por um estabelecimento legal, mas, sim, por pessoas do submundo), à base de clorofórmio mais éter, utilizado somente para fins de abuso. Mas já se sabe que, quando esses “fabricantes” não encontram uma daquelas duas substâncias, eles misturam
qualquer outra coisa em substituição. Assim, em relação ao “cheirinho da loló” não se conhece bem sua composição, o que complica quando se tem casos de intoxicação aguda por essa mistura. Ainda, é importante chamar a atenção para o lança-perfume.
Esse nome designa inicialmente aquele líquido que vem em tubos e que se usa no Carnaval. À base de cloreto de etila ou cloretila, é proibida sua fabricação no Brasil e só aparece nas ocasiões de Carnaval, contrabandeada de outros países sul-americanos.
Mas cada vez mais o nome lança-perfume é também utilizado para designar o “cheirinho da loló” (os meninos de rua de várias capitais brasileiras já usam estes dois nomes – cheirinho e lança – para designar a mistura de clorofórmio e éter).

Efeitos no cérebro

O início dos efeitos, após a aspiração, é bastante rápido – de segundos a minutos no máximo – e em 15 a 40 minutos já desaparecem; assim, o usuário repete as aspirações várias vezes para que as sensações durem mais tempo.
Os efeitos dos solventes vão desde uma estimulação inicial até depressão, podendo também surgir processos alucinatórios. Vários autores dizem que os efeitos dos solventes (quaisquer que sejam) lembram os do álcool, entretanto este não produz alucinações, fato bem descrito para os solventes. Entre os efeitos, o predominante é a depressão, principalmente a do funcionamento cerebral. De acordo com o aparecimento desses efeitos, após inalação de solventes, foram divididos em quatro fases:

Primeira fase: a chamada fase de excitação, que é a desejada, pois a pessoa fica eufórica, aparentemente excitada, sentindo tonturas e tendo perturbações auditivas e visuais. Mas podem também aparecer náuseas, espirros, tosse, muita salivação e as faces podem ficar avermelhadas.
Segunda fase: a depressão do cérebro começa a predominar, ficando a pessoa confusa, desorientada, com a voz meio pastosa, visão embaçada, perda do autocontrole, dor de cabeça, palidez; ela começa a ver ou a ouvir coisas.
Terceira fase: a depressão aprofunda-se com redução acentuada do estado de alerta, incoordenação ocular (a pessoa não consegue mais fixar os olhos nos objetos), incoordenação motora com marcha vacilante, fala “engrolada”, reflexos deprimidos, podendo ocorrer processos alucinatórios evidentes.
Quarta fase: depressão tardia, que pode chegar à inconsciência, queda da pressão, sonhos estranhos, podendo ainda a pessoa apresentar surtos de convulsões (“ataques”). Essa fase ocorre com freqüência entre aqueles cheiradores que usam saco plástico e, após um certo tempo, já não conseguem afastá-lo do nariz e, assim, a intoxicação torna-se muito perigosa, podendo mesmo levar ao coma e à morte.

Finalmente, sabe-se que a aspiração repetida, crônica, dos solventes pode levar à destruição de neurônios (células cerebrais), causando lesões irreversíveis no cérebro.
Além disso, pessoas que usam solventes cronicamente apresentam-se apáticas, têm dificuldade de concentração e déficit de memória.

Efeitos sobre outras partes do corpo

Os solventes praticamente não agridem outros órgãos, a não ser o cérebro.
Entretanto, existe um fenômeno produzido pelos solventes que pode ser muito perigoso. Estes tornam o coração humano mais sensível a uma substância que o nosso corpo fabrica, a adrenalina, que faz o número de batimentos cardíacos aumentar. Essa adrenalina é liberada toda vez que temos de exercer um esforço
extra, como, por exemplo, correr, praticar certos esportes etc. Assim, se uma pessoa inala um solvente e logo depois faz esforço físico, seu coração pode sofrer, pois ele está muito sensível à adrenalina liberada por causa do esforço. A literatura médica já cita vários casos de morte por arritmia cardíaca (batidas irregulares do coração), principalmente de adolescentes.

Efeitos tóxicos

Os solventes quando inalados cronicamente podem levar a lesões da medula óssea, dos rins, do fígado e dos nervos periféricos que controlam os músculos. Por exemplo, verificou-se, em outros países, que em fábricas de sapatos ou oficinas de pintura os operários, com o tempo, acabavam por apresentar doenças renais e hepáticas.
Em decorrência disso, nesses países passou a vigorar uma rigorosa legislação sobre as condições de ventilação dessas fábricas, e o Brasil também tem leis a respeito.
Em alguns casos, principalmente quando existe no solvente uma impureza, o benzeno, mesmo em pequenas quantidades, pode levar à diminuição de produção de glóbulos brancos e vermelhos pelo organismo.
Um dos solventes bastante usados nas nossas colas é o n-hexano. Essa substância é muito tóxica para os nervos periféricos, produzindo degeneração progressiva, a ponto de causar transtornos no marchar (as pessoas acabam andando com dificuldade, o chamado “andar de pato”), podendo até chegar à paralisia. Há casos de usuários crônicos que, após alguns anos, só podiam se locomover em cadeira de rodas.

Aspectos gerais

A dependência entre aqueles que abusam cronicamente de solventes é comum, sendo os componentes psíquicos da dependência os mais evidentes, tais como desejo de usar a substância, perda de outros interesses que não seja o solvente. A síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, está presente na interrupção abrupta do uso dessas drogas, sendo comum ansiedade, agitação, tremores, cãibras
nas pernas e insônia.
Pode surgir tolerância à substância, embora não tão dramática em relação a outras drogas (como as anfetaminas, que os dependentes passam a tomar doses 50- 70 vezes maiores que as iniciais). Dependendo da pessoa e do solvente, a tolerância instala-se ao fim de um a dois meses.

fonte: http://www.cebrid.epm.br/folhetos/solventes_.htm

COCAÍNA

COCAÍNA conhecida também como Pasta de Coca Crack Merla

Definição

A cocaína é uma substância natural, extraída das folhas de uma planta encontrada exclusivamente na América do Sul, a Erythroxylon coca, conhecida como coca ou epadu, este último nome dado pelos índios brasileiros. A cocaína pode chegar até o consumidor sob a forma de um sal, o cloridrato de cocaína, o “pó”, “farinha”, “neve” ou “branquinha”, que é solúvel em água e serve para ser aspirado (“cafungado”) ou dissolvido em água para uso intravenoso (“pelos canos”, “baque”), ou sob a forma de base, o crack, que é pouco solúvel em água, mas que se volatiliza quando aquecida e, portanto, é fumada em “cachimbos”.
Também sob a forma base, a merla (mela, mel ou melado), um produto ainda sem refino e muito contaminado com as substâncias utilizadas na extração, é preparada de forma diferente do crack, mas também é fumada. Enquanto o crack ganhou popularidade em São Paulo, Brasília foi a cidade vítima da merla. De fato, pesquisas mostram que mais de 50% dos usuários de drogas da Capital Federal fazem uso de merla, e apenas 2% de crack.
Por apresentar aspecto de “pedra” no caso do crack e “pasta” no caso da merla, não podendo ser transformado em pó fino, tanto o crack como a merla não podem ser aspirados, como a cocaína pó (“farinha”), e por não serem solúveis em água também não podem ser injetados. Por outro lado, para passar do estado sólido ao de vapor quando aquecido, o crack necessita de uma temperatura relativamente baixa (95oC), o mesmo ocorrendo com a merla, ao passo que o “pó” necessita de 195oC; por esse motivo o crack e a merla podem ser fumados e o “pó” não.
Há ainda a pasta de coca, que é um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de extração de cocaína das folhas da planta quando estas são tratadas com álcali, solvente orgânico como querosene ou gasolina, e ácido sulfúrico. Essa pasta contém muitas impurezas tóxicas e é fumada em cigarros chamados “basukos”.
Antes de se conhecer e de se isolar cocaína da planta, a coca (planta) era muito usada sob forma de chá. Ainda hoje esse chá é bastante comum em certos países da América do Sul, como Peru e Bolívia, sendo em ambos permitido por lei, havendo até um órgão do Governo, o “Instituto Peruano da Coca”, que controla a qualidade das folhas vendidas no comércio. Esse chá é até servido aos hóspedes nos hotéis.
Acontece, porém, que, sob a forma de chá, pouca cocaína é extraída das folhas; além
disso, ingerindo (toma-se pela boca) o tal chá, pouca cocaína é absorvida pelos intestinos
e, ainda, por essa via ela imediatamente já começa a ser metabolizada. Através do sangue, chega ao fígado e boa parte é destruída antes de chegar ao cérebro. Em outras palavras, quando a planta é ingerida sob a forma de chá, muito pouca cocaína chega ao cérebro.
Todo mundo comenta que vivemos hoje em dia uma epidemia de uso de cocaína, como se isso estivesse acontecendo pela primeira vez. Mesmo nos Estados
Unidos, onde, sem dúvida, houve uma explosão de uso nesses últimos anos, já existiu fenômeno semelhante no passado. E no Brasil também, há cerca de 60 ou 70 anos utilizou-se aqui muita cocaína. Tanto que o jornal O Estado de S. Paulo publicava esta notícia em 1914: Há hoje em nossa cidade muitos filhos de família cujo grande prazer é tomar cocaína e deixar-se arrastar até aos declives mais perigosos deste vício.
Quando... atentam... é tarde de mais para o recuo. Tanto o crack como a merla também são cocaína; portanto, todos os efeitos provocados no cérebro pela cocaína também ocorrem com o crack e a merla. Porém, a via de uso dessas duas formas (via pulmonar, já que ambos são fumados) faz toda a diferença em relação ao “pó”.
Assim que o crack e a merla são fumados, alcançam o pulmão, que é um órgão
intensivamente vascularizado e com grande superfície, levando a uma absorção instantânea.
Através do pulmão, cai quase imediatamente na circulação, chegando rapidamente ao cérebro. Com isso, pela via pulmonar, o crack e a merla “encurtam”
o caminho para chegar ao cérebro, surgindo os efeitos da cocaína muito mais rápido do que por outras vias. Em 10 a 15 segundos, os primeiros efeitos já ocorrem, enquanto os efeitos após cheirar o “pó” surgem após 10 a 15 minutos, e após a injeção, em 3 a 5 minutos. Essa característica faz do crack uma droga “poderosa” do ponto de vista do usuário, já que o prazer acontece quase instantaneamente após uma “pipada” (fumada no cachimbo).
Porém, a duração dos efeitos do crack é muito rápida. Em média, em torno de 5
minutos, enquanto após injetar ou cheirar, duram de 20 a 45 minutos. Essa certa
duração dos efeitos faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais freqüência
que as outras vias (praticamente de 5 em 5 minutos), levando-o à dependência muito
mais rapidamente que os usuários da cocaína por outras vias (nasal, endovenosa) e
a um investimento monetário muito maior.
Logo após a “pipada”, o usuário tem uma sensação de grande prazer, intensa euforia e poder. É tão agradável que, logo após o desaparecimento desse efeito (e isso ocorre muito rapidamente, em 5 minutos), ele volta a usar a droga, fazendo isso inúmeras vezes, até acabar todo o estoque que possui ou o dinheiro para consegui-la.
A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome popular de “fissura”, que é uma vontade incontrolável de sentir os efeitos de “prazer” que a droga provoca. A “fissura” no caso do crack e da merla é avassaladora, já que os efeitos da droga são muito rápidos e intensos.
Além desse “prazer” indescritível, que muitos comparam a um orgasmo, o crack e
a merla provocam também um estado de excitação, hiperatividade, insônia, perda de
sensação do cansaço, falta de apetite. Esse último efeito é muito característico do usuário
de crack e merla. Em menos de um mês, ele perde muito peso (8 a 10kg) e em um tempo maior de uso ele perde todas as noções básicas de higiene, ficando com um aspecto deplorável. Por essas características, os usuários de crack (craqueros) ou de merla são facilmente identificados. Após o uso intenso e repetitivo, o usuário experimenta sensações muito desagradáveis, como cansaço e intensa depressão.

Efeitos tóxicos

A tendência do usuário é aumentar a dose da droga na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (chamada entre eles de “nóia”). Esse efeito provoca um grande medo nos craqueros, que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios. A esse
conjunto de sintomas dá-se o nome de “psicose cocaínica”. Além dos sintomas descritos, o craquero e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interesse

sexual.

Corte cerebral pós-mortem de um adito em cocaína. A lesão 
mostrada refere-se a uma hemorragia cerebral massiva e está 
associada ao uso da cocaína. fonte: http://www.cerebromente.org.br/n08/doencas/drugs/cocaine.htm


Efeitos sobre outras partes do corpo

Os efeitos provocados pela cocaína ocorrem por todas as vias (aspirada, inalada, endovenosa). Assim, o crack e a merla podem produzir aumento das pupilas (midríase), que prejudica a visão; é a chamada “visão borrada”. Ainda pode provocar dor no peito, contrações musculares, convulsões e até coma. Mas é sobre o sistema cardiovascular que os efeitos são mais intensos. A pressão arterial pode elevarse e o coração pode bater muito mais rapidamente (taquicardia). Em casos extremos, chega a produzir parada cardíaca por fibrilação ventricular. A morte também
pode ocorrer devido à diminuição de atividade de centros cerebrais que controlam
a respiração.
O uso crônico da cocaína pode levar a degeneração irreversível dos músculos esqueléticos, conhecida como rabdomiólise.

Aspectos gerais

Como ocorre com as anfetaminas (cujos efeitos são em parte semelhantes aos da cocaína), as pessoas que abusam da cocaína relatam a necessidade de aumentar a dose para sentir os mesmos efeitos iniciais de prazer, ou seja, a cocaína induz tolerância.
É como se o cérebro se “acomodasse” àquela quantidade de droga, necessitando de uma dose maior para produzir os mesmos efeitos prazerosos. Porém, paralelamente a esse fenômeno, os usuários de cocaína também desenvolvem sensibilização, ou seja, para alguns efeitos produzidos pela cocaína, ocorre o inverso da tolerância, e com uma dose pequena os efeitos já surgem. Mas para a angústia do usuário os efeitos produzidos com pouca quantidade de droga são exatamente
aqueles considerados desagradáveis, como, por exemplo, a paranóia. Dessa forma, com o passar do tempo, o usuário necessita aumentar cada vez mais a dose de cocaína
para sentir os efeitos de prazer, porém seu cérebro está sensibilizado para os efeitos
desagradáveis, ocorrendo como conseqüência do aumento da dose uma intensificação de efeitos indesejáveis, como paranóia, agressividade, desconfiança etc.
Não há descrição convincente de uma síndrome de abstinência quando a pessoa pára de usar cocaína abruptamente: não sente dores pelo corpo, cólicas, náuseas etc. Às vezes pode ocorrer de essa pessoa ficar tomada de grande “fissura”, desejar usar novamente a droga para sentir seus efeitos agradáveis e não para diminuir ou abolir o sofrimento que ocorreria se realmente houvesse uma síndrome de abstinência.

Usuários de drogas injetáveis e Aids

No Brasil, a cocaína é a substância mais utilizada pelos usuários de drogas injetáveis (UDIs). Muitas dessas pessoas compartilham agulhas e seringas e expõem-se ao contágio de várias doenças, entre estas hepatites, malária, dengue e Aids. Essa prática é, hoje em dia, um fator de risco para a transmissão do HIV. Porém, os UDIs têm optado por mudança de via, assim, hoje em São Paulo, muitos antigos UDIs utilizam o crack por considerarem mais seguro, já que por essa via não compartilham seringas e agulhas. Entretanto, principalmente mulheres usuárias de crack, prostituem- se para obter a droga e geralmente o fazem sob efeito da “fissura”. Nesse estado,
perdem a noção do perigo, não conseguem proceder a um sexo seguro, expondo- se a doenças sexualmente transmissíveis (DST) e, ainda, podendo transmitir o vírus a seus parceiros sexuais. Essa prática demonstra que o crack diante das DST/Aids não é tão seguro quanto se suponha inicialmente.
Segundo dados do “Projeto Brasil”, estudo epidemiológico realizado entre 1995 e 1996 com 701 UDIs, envolvendo vários centros do País, e coordenado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Aids de Santos (Iepas), as taxas de prevalência de infecção pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis chegavam a 71% em Itajaí, 64% em Santos e 51% em Salvador.
No âmbito nacional, 21,3% dos casos de Aids registrados até maio de 1997 referiam-se à categoria de usuário de drogas injetáveis. As campanhas do Ministério da Saúde, por meio da Coordenação Nacional de DST/Aids, têm reduzido muito o número de infectados por essa via. Porém, iniciam-se agora campanhas que venham coibir a transmissão de DST/Aids por crack.

fonte: http://www.cebrid.epm.br/folhetos/cocaina_.htm