Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Enfermagem do desastre: acidentes em massa, terrorismo e catástrofes naturais





Acidente múltiplas vítimas


Terrorismo


Catástrofe Natural

Com os eventos das últimas semanas, que tem acontecido no Brasil e no mundo, como o ataque com armas químicas na Síria, o tornado no interior do estado de São Paulo e o incêndio numa fábrica de fertilizantes em Santa Catarina, que produziu uma volumosa fumaça tóxica, surgem questionamentos sobre a atuação dos profissionais de saúde nestes casos emergenciais e diferenciados, por sua natureza e repercussão.

Acidentes em massa podem ter variadas causas, por fenômenos naturais como, inundações, tornados, terremotos, avalanches, erupções vulcânicas, entre outros; por ação humana em forças naturais ou materiais como, acidentes rodoviários, ferroviários, aeroviários e marítimos, por radiação nuclear, desabamentos, incêndios e explosões, eletrocussão, entre demais exemplos; e  outras origens como, causas combinadas e pânico generalizado com pisoteamento.

A preocupação com tais situações torna-se emergente, mediante os fatos ocorridos recentemente e os grandes eventos que estão programados para os próximos meses no Brasil.

Os profissionais e instituições de saúde brasileiros estão prontos para agir com eficácia e rapidez em casos com estas naturezas e magnitudes?

O papel dos Enfermeiros é indispensável e crucial nestes casos, considerando as especificidades que competem a sua profissão.

Nestas situações de desastre, com envolvimento de muitas vítimas, um plano de emergência diferenciado precisa ser implementado.

O ideal é que as instituições de saúde construam e treinem seus funcionários, para que nestes casos cada profissional saiba como atuar e gerenciar.

Em situações de desastre com múltiplas vítimas, o cliente com alta prioridade no atendimento é diferente do cliente prioritário de situações emergenciais. Em acidentes catastróficos os insumos e recursos podem ter disponibilidade limitada, fazendo com que a triagem e classificação das prioridades mudem. As decisões baseiam-se na probabilidade da sobrevida e no consumo dos recursos disponíveis. O princípio fundamental que direciona o uso dos recursos é o bem máximo para o máximo de pessoas.

A triagem deve ser rapidamente realizada na cena do desastre, sendo imediatamente identificadas as vítimas prioritárias e iniciadas as intervenções necessárias, com posterior encaminhamento para as unidades de emergência.

Nos Estados Unidos é utilizado um sistema de triagem com cores para classificação da prioridade de atendimento das pessoas acidentadas (Tabela 1). Conforme a classificação, as pessoas recebem uma pulseira colorida que identifica seu nível de atenção e facilita a implementação das medidas de preservação da vida.

Tabela 1 - Categorias de Triagem

                  CATEGORIA DE TRIAGEM
   PRIORIDADE
        COR
                      CONDIÇÕES TÍPICAS
Imediata – lesões que impõem risco à vida, porém são compatíveis com a sobrevivência, com intervenção mínima. Os indivíduos neste grupo podem evoluir rapidamente para o nível expectante, caso o tratamento seja retardado.
                1
   Vermelha
Ferida torácica aspirante, obstrução de via aérea, choque, asfixia, hemotórax, pneumotórax hipertensivo, amputações incompletas, fraturas abertas dos ossos longos e queimaduras de 2º/3º grau de 15-40% da área de superfície corporal total.
Tardia – lesões significativas que exigem cuidados médicos, porém podem aguardar horas sem ameaçar a vida ou o membro. Os indivíduos neste grupo recebem tratamento apenas depois que os casos imediatos são tratados.
                2
    Amarela
Feridas abdominais estáveis sem evidência de hemorragia significativa, lesões dos tecidos moles, feridas maxilo-faciais sem comprometimento da via aérea, lesões vasculares com circulação colateral eficiente, ruptura do trato geniturinário, fraturas que precisam de redução aberta, desbridamento e fixação externa, maioria das lesões oculares e do SNC.
Mínima – lesões menores em que o tratamento pode ser retardado por horas a dias. Os indivíduos neste grupo devem ser transferidos da área de triagem principal.
                3
      Verde
Fraturas de membro superior, queimaduras menores, entorses, pequenas lacerações sem sangramento significativo, distúrbios comportamentais ou psicológicos.
Expectante – lesões extensas com chances de sobrevida improváveis, mesmo com o cuidado definitivo. Os indivíduos neste grupo devem ser separados dos outros casos, mas não abandonados. As medidas de conforto devem ser fornecidas quando possível.
                4
      Preta
Pacientes irresponsivos com lesões cranianas penetrantes ou raquimedulares altas, lesões envolvendo múltiplas áreas corporais e órgãos, queimaduras de 2º/3º grau em mais de 60% da área de superfície corporal, convulsões ou vômitos dentro de 24 horas após exposição à radiação, choque profundo com múltiplas lesões, respirações agônicas, ausência de pulso, sem pressão arterial, pupilas fixas e dilatadas.
Fonte: Adaptado de BRUNNER & SUDDARTH (2005)

O Enfermeiro pode desempenhar diferentes funções em eventos catastróficos, sendo seu papel definido mediante as necessidades específicas que a instituição de saúde e equipes de trabalho apresentam, bem como as particularidades que o desastre gerou. Por exemplo, o Enfermeiro pode atuar na triagem principal das vítimas, realizar procedimentos avançados, caso possua capacitação para tal e respaldo da instituição, dar assistência no luto as famílias com a identificação dos entes queridos, gerenciar e/ou fornecer as atividades de cuidado em hospitais de campanha (provisórios) ou mesmo coordenar a distribuição dos recursos materiais e humanos entre as equipes de atendimento.

Estes são apenas alguns exemplos das atividades que podem ser realizadas, mas não contemplam todas as atividades desempenhadas nestes eventos. Há ainda as ações voltadas para o controle e divulgação de informações à mídia e às famílias, o gerenciamento de possíveis conflitos internos, como o uso dos recursos disponíveis; de origem étnica/cultural, referente aos hábitos e costumes particulares dos acidentados e familiares; e de cunho religioso, relacionado às crenças e costumes específicos das vítimas envolvidas, principalmente nos casos de óbito.

Estes exemplos ilustram algumas situações possíveis em casos de acidentes em massa, devendo ser considerados pelos profissionais de saúde das equipes de atendimento. São casos que podem acontecer em eventos que envolvam um grande número de turistas, sendo do próprio país ou estrangeiros.

Concluindo esta primeira parte do artigo, os Enfermeiros devem estar preparados para atuar em novos ambientes e em papéis atípicos em casos de desastre. O princípio que deve nortear suas ações é o de fazer o bem ao maior número de pessoas que for possível.

ARTIGO POR PAULA ROCHA LOUZADA VILLARINHO


REFERÊNCIAS CONSULTADAS:


BRUNNER & SUDDARTH. Suzanne C. Smeltzer, Brenda G. Bare. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 10 ed. vol 4. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2005

FRANÇA, G V de. Desastres de Massa - Sugestões para um Itinerário Correto de Auxílios. Revista Bioética, Brasília, v. 2, n. 2, nov/dez 1994. Disponível em:  <http://www.revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/viewFile/471/340>.  Acesso em: 25 set 2013.


Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/50958/enfermagem-do-desastre-acidentes-em-massa-terrorismo-e-catastrofes-naturais?utm_source=ALLINMAIL&utm_medium=email&utm_content=79100890&utm_campaign=Top_10_-_100_-_Enfermagem&utm_term=y.jm.lt92.yuw2bi.b.ecu.q.hd#ixzz3J4BF8j12