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Romanos 8:28

sábado, 10 de maio de 2014

Transtorno de ansiedade é tratado com realidade virtual em São Paulo

Os transtornos sociais atingem cerca de 8% da população mundial, sendo essa uma condição psiquiátrica comum entre crianças e adolescentes – até 10% deles sofrem de algum transtorno relacionado à ansiedade e mais de 50% dessas crianças apresentam episódios depressivos, sintoma típico dessa psicopatologia.
 
Algumas formas de ansiedade infantil podem estar relacionadas a transtornos ansiosos na vida adulta, e é importante observar se os comportamentos acontecem esporadicamente e de modo isolado ou se sinalizam síndromes, caracterizando um desvio do padrão de comportamento esperado para indivíduos com a mesma idade e sexo, dentro de uma mesma cultura.
 
Analisando esses fatores e na intenção de desenvolver um tratamento para esse tipo de transtorno, o Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo desenvolveu uma pesquisa com cerca de 20 pacientes diagnosticados com fobia social, cujo resultado demonstrou diminuição, em média, de 55% das crises de ansiedade.
 
A terapia consistiu em submeter os pacientes a sessões de realidade virtual, 3D, simulando situações cotidianas e supostamente desconfortantes e que causam ansiedade para esses clientes. Os resultados começaram a ser observados a partir de da quinta sessão de tratamento.
 
A responsável pela pesquisa, a psicóloga Cristiane Maluhy Gebara, explica que o trabalho teve como base a terapia cognitiva comportamental e a técnica de exposição – utilizada no tratamento convencional, sendo considerada a mais eficaz. A diferença entre as duas é que ao invés de expor os pacientes às situações de desconforto ao vivo ou de sua imaginação, a terapia simula em computador essas situações.
 
As situações que causavam desconforto ansiedade eram hierarquizadas e o paciente era exposto a cada uma delas de forma gradual e repetida. Conforme explica a psicóloga, a vantagem da realidade virtual em relação ao tratamento convencional é que o paciente pode ser exposto, à mesma cena, inúmeras vezes até se sentir confortável e, sobretudo, a adesão é maior por acontecer em um ambiente controlado. “Não temos como criar uma reunião de trabalho só para submeter o paciente a essa exposição. É uma limitação que não acontece na exposição virtual", diz Cristiane.
 
As sessões são acompanhadas pelo terapeuta, que orienta e controla o paciente. O programa tem seis cenas que vão de uma simples caminhada pela rua em que o paciente se submete aos olhares insistentes dos outros pedestres, passando por um pedido de informação para um desconhecido, até a chegada a uma festa cheia. 
 
"Em uma exposição ao vivo, a pessoa demora cerca de 50 minutos para conseguir diminuir e controlar a ansiedade. Nessa pesquisa, constatamos que houve diminuição dos níveis de ansiedade após 20 minutos", diz a psicóloga. 
 
Os pacientes estão sendo reavaliados para que a pesquisadora observe se eles estão respondendo ao tratamento e se os resultados se mantiveram. Fora do Brasil, a técnica da realidade virtual com fins terapêuticos já é utilizada. Mas aqui, por enquanto, serão necessários mais estudos antes de ela ser oferecida como tratamento de rotina.
 
 
 

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