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Romanos 8:28

sábado, 19 de outubro de 2013

Especialista destaca a importância do APH no atendimento aos queimados

Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, em 1989, Carlos Yoshimura possui título de especialista em Cirurgia Plástica e Queimados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. É emergencista desde 1990. Em 2004, passou a integrar o Comitê Internacional de Queimaduras Químicas, entidade internacional sediada na França, que discute sobre os avanços, descobertas e desenvolve diversas pesquisas na área. 

Quatro anos depois, tornou-se diretor do SAMU de Cubatão, função que exerceu por mais de cinco anos. Em junho deste ano, tomou posse como Secretário de Saúde da cidade. Além de estar à frente da pasta, é, atualmente, professor de pós-graduação em Urgência e Emergência, na Unimonte, e professor de pós-graduação em APH na Universidade Católica de Santos.

Aos 49 anos de idade, Carlos Alberto Yoshimura celebra 25 deles dedicados à área de Emergências. O médico acumula experiências diferenciadas, tanto no pré quanto no intra-hospitalar. Contudo, suas grandes paixões sempre foram o atendimento a queimados e o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), do qual foi diretor por vários anos na cidade de Cubatão/SP. Unindo estes conhecimentos, Yoshimura adotou no município tecnologias que possibilitam o socorro imediato de queimados, voltadas ao pré-hospitalar.

"Casos que eu venho apresentando mundo afora demonstram que o pré-hospitalar é útil no atendimento a todos os tipos de queimados. Se a luta é contra o relógio, o SAMU é uma peça muito importante para agilizar este tipo de atendimento. Só precisamos que as autoridades tenham esta consciência e façam o investimento específico para a parte de queimaduras", avalia. 

Em entrevista à Emergência, concedida durante a Expo Emergência 2013, o cirurgião plástico fala sobre as dificuldades para o conhecimento de equipes de emergência sobre os diferentes tipos de queimaduras, bem como de recursos para estas ocorrências, direcionados ao APH. Ressalta, ainda, que o desconhecimento é maior nos casos de queimaduras químicas.

Em que momento surgiu seu interesse pelo tratamento das vítimas de queimaduras, em especial em APH?
Na década de 1990, quando eu estava fazendo a Residência em Cirurgia Plástica na Baixada Santista (litoral sul de São Paulo), eu rezava para que não chegasse emergência química, porque eu não sabia como atender este tipo de urgência. Meu interesse em APH surgiu em 1992, quando saí do ofício de militar, fui trabalhar em resgate aéreo e na Fórmula 1 e nunca mais parei. Quando me tornei cirurgião plástico, cirurgião geral, me senti muito seguro para trabalhar no pré-hospitalar. Acredito que você deve ter o mínimo de formação para se sentir seguro no APH. Eu já tinha uma boa bagagem.

Qual a incidência de queimaduras por chamas e queimaduras químicas no APH no Brasil?
É a mesma da estatística mundial. Cerca de 4% das queimaduras são químicas e, a maior parte, é por fogo. Mundialmente, esta porcentagem oscila pouco, um ou dois pontos. Eu já tive este trabalho de verificar e comparar diversos países, mas temos uma grande dificuldade de quantificar estes números. Nós temos cerca de um milhão de acidentes por ano no Brasil, você pode duplicar este número devido à subnotificação. Estes números não são fiéis e este é o nosso grande problema. Também precisa haver um consenso entre as cidades e entre os países a fim de formatar um modelo de captação destes números. 

O senhor foi pioneiro na adoção de tecnologias de tratamento imediato das queimaduras em um serviço de APH. Até hoje, apenas o SAMU Cubatão utiliza estes recursos. A que se deve esta morosidade do serviço público pré-hospitalar diante das queimaduras?
Em relação às queimaduras químicas, o maior problema é o desconhecimento de causa, porque a queimadura química só perfaz uma média de 4% do total de queimaduras no país ou no mundo. Embora a porcentagem seja pequena, ela é muito complexa. Há desconhecimento dos próprios profissionais, cirurgiões plásticos e especialistas. Assim, estas inovações acabam ficando restritas a países de primeiro mundo, como Estados Unidos e nações europeias. Aqui no Brasil, ainda engatinhamos na busca destas tecnologias. A grande dificuldade é a falta de informações.

Sua atuação motivou empresas a adotar tecnologias de primeiros socorros em queimaduras. Como se deu este processo?
Em Cubatão, foi criado o primeiro PAM (Plano de Auxílio Mútuo) entre as indústrias no país. Hoje, o plano conta com 27 indústrias de grande porte, entre elas siderúrgicas, petroquímicas e refinarias. Este grupo, sediado no CIESP (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), tem um encontro mensal para divulgar os conhecimentos, treinamentos e simulados. É durante estes exercícios que divulgamos conhecimentos para todas estas indústrias. Muitas delas têm toda esta tecnologia a respeito de atendimento a emergências envolvendo queimaduras. 

Não divulgam, mas têm, tanto para queimaduras com fogo quanto para queimaduras químicas. Em 2004, uma empresa custeou minha visita ao Polo Industrial de Camaçari, na Bahia. Fui até lá para verificar o uso de um produto descontaminante químico, que já era amplamente utilizado na Europa e nos Estados Unidos. Foi a partir daí que o Comitê Internacional de Queimaduras Químicas me contatou e, mais tarde, fui até a França conhecer as pesquisas desenvolvidas pela entidade.

Fonte: Revista Emergência 
Por Priscilla Nery