Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Imunização e os Eventos Adversos Pós Vacinação

Desde 1796, com a criação da primeira vacina, por Edward Jenner, muitas doenças infecciosas e parasitárias têm sido controladas, e até mesmo, erradicadas com o uso da vacinação. No Brasil, este quadro foi ainda mais significativo após a implementação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 1973. Porém, ao se tratarem de fármacos como qualquer outro, podem vir a provocar eventos adversos, que devem possuir atenção especial para que não sejam determinantes na não adesão ao esquema vacinal. Tais eventos são denominados Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV) (BRASIL, 2008; WALDMAN et al.,2012).

Você sabia que o calendário vacinal dispõe de uma grande variedade de vacinas de acordo com a faixa etária, de forma que é um dos mais amplos em nível mundial?
A vacinação segura faz parte do PNI, o qual visa garantir o uso de vacinas de qualidade, utilizar as boas práticas da imunização, monitorar os EAVPs, bem como transmitir à população através de meios de comunicação informações claras sobre a vacinação (BRASIL, 2012).
O EAVP pode ser entendido como qualquer manifestação clínica que aconteça em um indivíduo após a aplicação de um imunobiológico. Tais eventos podem estar associados à própria vacina, às características individuais de cada organismo, aos erros programáticos e também, a coincidência com outros agravos.
Com o aumento populacional, proporcionalmente elevou-se o número de vacinações, em consequência ocorreu o crescimento dos eventos adversos, e isso determinou a importância da implementação de um sistema de vigilância, sento então criado, em 1992, o Sistema Nacional de Vigilância dos Eventos adversos Pós-Vacinação (SVEPV) (BRASIL, 2012; BISETTO; CUBAS; MALUCELLI, 2011).
            Dentre os objetivos do SVEPV estão:
  • Detectar, corrigir e prevenir erros programáticos;
  • Identificar problemas com lotes ou marcas específicas;
  • Alertar sobre EAPV falsamente atribuíveis a determinada vacina por coincidência de eventos;
  • Manter a confiança da comunidade no programa pela resposta adequada diante do aumento de percepção de risco de determinada vacina;
  • Investigar EAPV raros, não identificados nos estudos prévios à licença da vacina, e reações adversas tardias;
  • Monitorar o aumento da frequência das reações conhecidas;
  • Identificar fatores de risco associados à EAPV;
  • Identificar sinais de possíveis EAPV desconhecidos ou que necessitam ser estudados.(WALDMAN et al., 2012).
Ainda segundo Waldman et al. (2012), os SVEPV podem ser passivos ou ativos:


Para atingir seus objetivos, o SVEPV no Brasil faz uso de alguns instrumentos, como: umFormulário próprio de investigação/notificação, um Manual de Vigilância com informações pertinentes e um sistema informatizado SI-EAPV (Sistema de Informação de Eventos Adversos Pós-Vacinação).
É importante ressaltar que os benefícios do uso das vacinas são maiores, mesmo quando comparado às vacinais mais reatogênicas (SUVISA, 2012). Portanto, é relevante a educação em saúde e investimento em orientações à população de forma que haja a adesão adequada ao programa.
Um evento que está associado de forma temporal à vacina, nem sempre tem relação causal, neste sentido é difícil identificar se as reações são necessariamente ocasionadas pela vacina aplicada. Um exemplo é no caso de vacinas em lactentes. Trata-se de um período de vida em que muitas condições clínicas se manifestam e podem coincidir com o período vacinal. Em decorrência disso é utilizado o termo “evento adverso”, pois reação tem ligação causal com a vacina (BRASIL, 2008; SUVISA, 2012). 
Antes de classificarmos os eventos, é importante ressaltar que as vacinas podem contem o patógeno vivo e atenuado, ou não vivo. As vacinas “vivas” possuem maiores chances de causar eventos adversos em indivíduos imunodeprimidos.
 Há também aqueles eventos que são relacionados aos indivíduos, como no caso dos eventos adversos decorrentes de depressão imunológica, quando a pessoa é considerada imunodeprimida. E também nos casos daqueles que tem eventos adversos por reações de hipersensibilidade, quando a pessoa tem uma resposta exacerbada ao agente da vacina (SUVISA, 2012).
Os eventos podem, ainda, ser classificados conforme a gravidade:
Eventos graves
 Ocorre hospitalização por no mínimo 24 horas; há disfunção ou incapacidade significativa ou persistente; evento que resulte em anomalia congênita; risco de morte; óbito.
Eventos moderados
Quando há necessidade de avaliação médica e exames complementares e tratamento médico que não se inclui na categoria de grave.
Eventos leves
Quando não há necessidade de exames complementares e tratamento (BRASIL, 2008; SUVISA, 2012).
Manifestações locais
Abcessos, pruridos, eritemas. Deve ser notificado em casos intensos e não há contraindicação para doses subsequentes. A enfermagem deve orientar compressas frias, nas primeiras 24-48 horas após a aplicação, nos casos de dor e reação locais intensas.
Febre
                É a elevação da temperatura axilar acima de 37,5ºC. Pode ocorrer logo após a aplicação de vacinas atenuadas e alguns dias após as vacinas vivas. Deve ser notificada se temperatura maior que 39,0ºC. A enfermagem pode atuar mantendo a pessoa em repouso, em ambiente bem ventilado, administrar água e outros líquidos apropriados, tais como o leite materno, terapia de reidratação oral e conversar com o médico sobre o uso de antitérmicos. Não há contraindicação para dose subsequente.
Convulsão
Pode ser febril ou afebril, sendo a última mais rara. Deve-se notificar e registrar todos os casos. A atuação da enfermagem no caso da febril é o mesmo citado acima e no na crise aguda, deve ser tratada como qualquer outra convulsão.
Hipersensibilidade
Podem ser graves, como o choque anafilático, menos graves quando há sinais de insuficiência respiratória e ou colapso circulatório. Qualquer tipo de reação de hipersensibilidade grave deve ser notificado, não é necessário apenas no caso de reações tardias, como dermatites, e também não possuem contraindicação para doses subsequentes.
Eventos de natureza mal definida
Trata-se de uma reação sistêmica exagerada aos componentes vacinais, especialmente de endotoxinas, presentes na vacina contra coqueluche. Deve ser notificado e registrado.
É possível verificar o papel da enfermagem de forma imprescindível no âmbito da vacinação e da atenção aos Eventos Adversos Pós-Vacinação. O profissional da enfermagem atua diretamente nas campanhas de vacinação, aplicação e orientação quanto aos cuidados, manutenção da imunização e regularidade do calendário.

Referências

SESA - SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE. Governo de Goiás. Superintendência de vigilância em saúde. Gerência de imunização e rede de frio. Coordenação de eventos adversos pós-vacinais e centro de referência para imunobiológicos especiais. Orientações gerais de eventos adversos pós vacinação. Goiás, 2012. Disponível em: <http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2012-05/orientacoes-gerais-de-eapv.pdf>. Acesso em 22 out. 2012.
SESA - SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE. Governo de Goiás. Superintendência de vigilância em saúde. Eventos Adversos Pós Vacinação – EAPV. Goiás, 2012. Disponível em:>. Acesso em 22 out. 2012.
WALDMAN, E. A. et al. Vigilância de eventos adversos pós-vacinação e segurança de programas de imunização. Rev Saude Publica, v. 45, n. 1:173-84. São Paulo, 2011. Disponível em:>. Acesso em 22 out. 2012.
BISETTO, L. H. L.; CUBAS, M. R.; MALUCELLI, A. A prática da enfermagem frente aos eventos adversos pós-vacinação. Rev Esc Enferm USP, v. 45, n. 5: 1128-34. São Paulo, 2011. Disponível em:>. Acesso em 22 out. 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância vpidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. 2º Ed. Brasília, 2008. Disponível em:>. Acesso em 22 out. 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portal da Saúde. Eventos Adversos Pós-Vacinação. Brasília, 2012. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=30950&janela=1>. Acesso em 22 out. 2012.
FONTE: http://www.jornadaead.com.br/cofen/atualizacoes/Atualizacao_Imunizacao_e_os_Eventos_Adversos_Pos_Vacinacao.html