Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

terça-feira, 31 de julho de 2012

SOCORRO NA SELVA








Dispara o sinal de alerta. Motores e rotores das aeronaves ligados, num som que se mistura à correria para a montagem de uma ­complexa operação logística para localizar e resgatar, no menor tempo possível, sobreviventes em meio à selva. É uma corrida contra o tempo e que pode ter diferentes obstáculos a serem vencidos como a densa floresta, condições meteorológicas, dificuldades na comunicação e até mesmo o desgaste físico e psicológico.

Estas cenas poderiam até ser de um filme de ação, mas, na verdade, não têm nada de ficção. Elas fazem parte da rotina dos militares dos esquadrões de busca e salvamento da FAB (Força Aérea Brasileira), aptos a cumprirem missões, 24 horas por dia, nos sete dias da se­mana. Hoje, o foco resgate na selva está a cargo das Unidades de Campo Grande/MS, Belém/PA e Manaus/AM.

Uma delas é o Segundo Esquadrão do Décimo Gru­po de Aviação, ou Esquadrão Pelicano como é mais conhecido, com base em Campo Grande, sendo o único que a atividade fim é a busca e salvamento. Entre tantos resgates marcantes, o acidente com o C-98 Caravan da FAB, ocorrido em 29 de outubro de 2009, é lembrado até hoje pelos militares deste comando.

Na época, o avião partiu do Acre transportando profissionais da área de Enfermagem da Funasa (Fundação Nacio­nal de Saúde) para aldeias indígenas na ­Região Amazônica. Mesmo com o aparelho em pane, os pilo­tos do C-98 driblaram árvores de mais de 50 metros de altura e conseguiram fazer um pouso de emergência no Ituí, um rio estreito e cheio de curvas no Vale do Javari, no Amazonas. Das 11 pessoas a bordo, nove sobreviveram, um militar e um da equipe da Funasa morreram.

Os procedimentos neste resgate se igualam a outros tantos já realizados em selva, embora, muitas vezes, os meios empregados levam em conta a especificidade de cada região. No entanto, um critério é idêntico para qualquer situação: a missão só é inicia­da quando for declarado algum tipo de emergência ou quando alguma aeronave ou embarcação não chega ao seu local de destino dentro do período estimado pelos órgãos de controle de tráfego ­aéreo.

Segundo o tenente Francis Guilherme Pereira, da área de comunicação do Esquadrão Pelicano, nenhuma aeronave tem permissão de decolar para uma missão de resgate sem o acionamento de um dos cinco Salvaeros - estão localizados em Brasília, Curitiba, Recife e Manaus, onde há dois. "Precisamos de coordenadas. Com uma posição geográfica, temos um padrão de área menor para ser coberto", explicou. Ainda segundo o militar, outra ferramenta que auxilia na localização é a mensagem automática de uma baliza de emergência, que é emitida para o satélite, por meio do ELT.

Entretanto, se não houver uma localização exata, a primeira aeronave a entrar em operação é a SC-105, também chamada Amazonas, que faz o sobrevoo do local do sinistro. Com uma equipe de 130 militares e oito helicópteros, o Esquadrão Pelicano possui dois aviões Amazonas, capazes de atingir qualquer ponto no território nacional e que têm capacidade para o embarque de até duas tripulações e uma autonomia de aproximadamente 13 horas de voo, o que aumenta muito as possibilidades de atuação e as probabilidades de encontrar sobreviventes no menor tempo possível.

Cálculos
Para o tenente-coronel Silvio Monteiro, ex-chefe da D-SAR (Divisão de Busca e Salvamento), da FAB, a localização de acidentes aéreos é uma ciência pura, pois os cálculos baseados em dados da rota prevista e atualização pela aeronave dos procedimentos aos órgãos de controle de tráfego aéreo são preciosos para a definição de uma área de busca, que, mesmo sem nenhuma informação extra, é construída a partir da LKP (Last Known Position), ou última posição conhecida do objeto de busca.

A conexão destas informações, segundo ele, vem gerando resultados positivos. Tanto que das 280 operações em 2010 e outras 219 em 2011 realizadas em selva pelas ­Unidades de Busca e Salvamento - elos do Sistema de Busca e Salvamento Aeronáutico (Sistema SAR), que tem como elo central o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro) - ninguém nunca foi deixado para trás, seja sobrevivente ou não.




MATÉRIA DE CAPA
SOCORRO NA SELVA

Reportagem de Marcia Greiner
Capa: Johnson Barros / FAB

Operações complexas exigem treinamento, planejamento e dedicação para o sucesso do resgate

fonte: http://www.revistaemergencia.com.br/edicoes/7/2012/Jajb