Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

terça-feira, 20 de março de 2012

Deputada enfermeira combate desrespeito a acadêmicas de enfermagem


Diante do assédio moral e das ofensas dos estudantes de medicina contra as acadêmicas de enfermagem, ambos grupos da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá, em 05 de março, a deputada estadual pelo Rio de Janeiro, enfermeira Rejane emite nota de repúdio, reproduzida logo abaixo.

Durante o trote dos alunos de medicina, os ‘veteranos’ incentivaram os ‘calouros’ a cantarem trechos que submetiam as enfermeiras à submissão sexual dos acadêmicos de medicina e colocava os cursos de nutrição e de enfermagem em grau de inferioridade à profissão deles.

O fato foi filmado pela presidente do diretório acadêmico de enfermagem, Karine Campos, que encaminhou cópia do vídeo à reitoria da UFMT, à Polícia Federal e ao Ministério Público, solicitando providências contra as agressões verbais. Foi encaminhada cópia também ao Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren/MT), que defendeu a categoria diante da imprensa.

O caso foi amplamente veiculado pela imprensa, ganhando destaque nacional na Rede Globo na semana passada, motivo pelo qual a deputada emitiu nota ao Coren.

Os estudantes de medicina alegaram não se passar de uma brincadeira e uma tentativa de integração entre os cursos. O centro acadêmico de medicina pediu desculpas aos ofendidos, mas as acadêmicas de enfermagem ainda aguardam providências da reitoria da universidade, que as tomarão com base nas imagens gravadas.

O presidente do Coren, Eleonor Raimundo da Silva, ressaltou que a Enfermagem merece respeito, que não podemos aceitar que haja conotação sexual quando se referir a uma profissão tão importante, que as relações de trabalho são em prol de uma saúde de boa qualidade e que não existe hierarquia na saúde – todas as profissões são autônomas e complementares.

Confira abaixo a nota, na íntegra, enviada pela deputada estadual, enfermeira Rejane:

Diante da matéria veiculada no Jornal Bom Dia Brasil da TV GLOBO neste dia 15 de março de 2012, vimos manifestar nosso mais veemente repúdio a manifestação dos veteranos e calouros da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Mato Grasso que, sem dúvida, dão uma clara demonstração de Discriminação de Gênero e de desrespeito aos demais acadêmicos e profissionais da Enfermagem que compõem a equipe multifuncional da saúde.

O assédio moral ou violência moral no trabalho representa um jogo de poder que violenta, humilha e intimida pelo medo, e que, sobretudo, afeta a saúde e o desempenho de trabalhadores e trabalhadoras.

Essa tem sido uma trágica realidade para os profissionais de enfermagem de nosso país, em especial para o imenso contingente feminino da categoria, que se vêem violentadas cotidianamente, seja pela imposição de uma relação de subordinação injusta a outros profissionais de mesmo grau de escolaridade e responsabilidade no ambiente laboral, seja pelas condições desiguais de trabalho, salário e jornada a que estão obrigados.

Mesmo diante das dificuldades encontradas, há duas atitudes fundamentais e imprescindíveis a serem adotadas: a denúncia dos agressores e a divulgação ampla de informações e a adoção de medidas como a organização de Câmaras Técnicas, comissões estaduais ou locais de acompanhamento e fiscalização. Essas medidas são de extrema urgência, em especial para orientação da categoria e a busca da defesa de seus direitos quando do desrespeito à legislação em vigor.

É fundamental orientar o profissional a não se isolar, buscar apoio junto a suas entidades de representação. Mostrar aos agressores que o profissional não está sozinho e que existe mobilização para enfrentamento do problema.

Desde os bancos escolares é preciso estimular a colega a não se intimidar e jamais deixar de denunciar. A denúncia representa a melhor arma no combate, evitando que surjam novas vítimas; a Lei do Silêncio só protege o agressor, e não a vítima e garante a impunidade.

O medo de demissão e de represálias deixam muitos trabalhadores sem atitude e o sistema COFEN precisa se mobilizar para enfrentar essa questão de maneira objetiva, tomando para si a defesa dos profissionais de enfermagem e conclamando as demais entidades de representação da categoria a se organizarem para o combate a essa violência cotidiana sofrida pela categoria.

Frente ao ocorrido venho manifestar minha solidariedade e apoio aos acadêmicos e profissionais de enfermagem do Mato Grosso, colocando meu mandato a disposição desta tão sofrida categoria.

Receba meu fraterno abraço.
Cordialmente,
Enfermeira RejaneDeputada EstadualPCdoB



Fonte:
Coren/MT
http://site.portalcofen.gov.br/node/8834