"Orem também para que Deus nos livre das pessoas más e perversas, pois nem todos creem na mensagem. Mas o Senhor Jesus é fiel. Ele lhe dará forças e os livrará do maligno." 2 Tessalonicenses 3 2-3

sábado, 10 de setembro de 2011

Trabalhadores do SAMU estão expostos à violência


As atividades de Enfermagem no APH (Atendimento Pré-Hospitalar) foram regulamentadas pe­lo Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo, por meio da de­­cisão 001, de 22 de março de 2001, resolvendo que "o Atendimento Pré-Hos­pitalar de Suporte Básico e de Su­por­te Avançado de Vida, em termos de pro­cedimentos de Enfermagem previstos em lei seja, incondicionalmente, pres­tado por Enfermeiros, ­Técnicos de Enfermagem ou Auxiliares de Enfermagem, observados os dispositivos constantes na Lei nº 7.498/86 e Decreto-lei nº 94.406/87".
Pela Portaria nº 2.048 do Ministério da Saúde são definidas as funções do enfer­mei­ro, o perfil deste profissional, bem co­­mo de toda a equipe que deve atuar nes­te serviço. A Portaria determina que os enfermeiros de APH sejam responsá­veis pelo atendimento de Enfermagem necessário para a reanimação e estabilização do paciente no local do evento e durante o transporte. Cabe também ao enfermeiro prestar serviços administrativos e operacionais em sistemas de atendimento pré-hospitalar, supervisionar e avaliar as ações de Enfermagem da equipe no atendimento pré-hospitalar móvel, dentre outras funções específicas.
Os trabalhadores da área da Saúde estão expostos a inúmeros riscos em suas ati­vidades. De acordo com o autor Marcelo Firpo de Souza Porto, os riscos po­dem estar presentes sob diversas formas, em particular nas substâncias químicas, em agentes físicos, mecânicos e biológi­cos, na inadequação ergonômica dos pos­­tos de trabalho, ou, ainda, em ­função das características da organização do trabalho e das práticas de gerenciamento das empresas, como organizações autoritárias, tarefas monótonas e repetitivas.
Segundo o autor Júlio César da Silva Soares, os riscos químicos são substâncias que podem penetrar no organismo pelas vias respiratórias, como aerossóis (poeiras, névoas, neblinas e fumo), gases e vapores. Também fazem parte deste grupo os produtos químicos desencadeadores de explosões e incêndios. Dentre os riscos químicos relacionados a trabalhadores da área da Saúde destacam-se aqueles de exposição a medicamentos por inalação, absorção e ingestão de go­tículas, ou durante a quebra e/ou re­constituição de ampolas, pois as substâncias presentes nas medicações podem gerar contaminações químicas, causando efeitos carcinogênicos, teratogênicos, sis­têmicos (tais como os neurotóxicos), irritantes, asfixiantes, anestésicos, alergi­zantes, entre outros males.
Ainda segundo Soares, os riscos ­físicos são diversas formas de energia que po­dem estar expostas aos trabalhadores, tais como: ruído, calor, frio, umidade, pres­sões, radiações ionizantes e não io­ni­zantes e vibrações como o infrassom e o ultrassom.
Os profissionais da área da Saúde estão em constante risco biológico, ou seja, ex­postos a infecções durante sua ativida­de ocupacional. A necessidade de proteção contra um risco biológico é defini­da pela fonte do material, pela natureza da operação a ser realizada, bem como pelas condições de realização. As vias de transmissão que podem ocorrer no ser­viço pré-hospitalar são as seguintes: san­gue, líquidos orgânicos, bacilos e ar con­dicionado, conforme César Augusto Soares Nitschke et al.
Ainda segundo Nitschke, os trabalha­do­res de APH estão sujeitos também a riscos mecânicos ou de ­acidentes, dentre eles destacam-se: falhas mecânicas da ambulância, deslocamento da ambulância no trânsito, espaço interno res­trito e mobiliário, gravidade do atendimento, utilização de equipamentos biomédicos, instalação elétrica da ambu­lância ou equipamentos eletrônicos. O trabalho em ambulâncias apresenta a ne­cessidade do rápido deslocamento pelas vias públi­cas, em que ela avança mais rapidamente que o fluxo normal do trânsito. Desta forma, há o risco de acidente de trânsito, envolvendo riscos de lesões e morte.
Este estudo nasceu da minha observa­ção e percepção a partir de um trabalho vo­luntário que realizei no SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em Viamão/RS. Observei que os trabalhadores têm muitas necessidades, entre elas, destaca-se a segurança, sendo que os riscos aos quais estes trabalha­dores se expõem são inúmeros. O estudo relata os riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores de um SAMU es­tão expostos. Assim, espero contribuir com essa área de investigação e, sobretu­do, pensar e criar condições para melho­rar o trabalho nesta área.
Daniela Vidal Rocha Lorenz, enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Conceição, e Zoraide Immich Wagner, enfermeira da Unidade do Trauma do Hospital de Pronto-Socorro e professora da Unisinos

Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom
Fonte: Revista Emergência