Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

sábado, 2 de julho de 2011

Sistema de aquecimento de cristaloides sob medida para APH


Definimos como hipotermia o estado no qual a temperatura corpórea apresenta valores reduzidos, ou seja, igual ou abaixo de 35ºC, secundária a um déficit neurológico em que a vítima encontra-se incapaz de produzir calor suficiente para manter a homeostasia corpórea normal.
A redução da temperatura corpórea é desencadeada pelo hipotálamo por meio da termogênese muscular e liberação de catecolaminas pelo sistema nervoso simpático e glândulas suprarrenais. A resposta mediada pelas catecolaminas, numa fase inicial, ocorre no sentido de contrapor a hipotermia, identificada pelo aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial média. Com a evolução do quadro, esta resposta é bloqueada pelos efeitos inotrópicos e cronotrópicos negativos, mediados pela hipotermia, ocasionando, assim, a diminuição do débito cardíaco e da perfusão tecidual, além de abrandamento da atividade enzimática, vasoconstrição periférica e alterações das vias metabólicas dependentes da perfusão de oxigênio (redução de 6% no consumo de O2 para cada diminuição de 1ºC). Com a evolução da hipotermia, constatamos a presença de taquipneia (respiração acelerada) seguida de depressão do centro respiratório com redução da ventilação alveolar e, consequentemente, da PaO2 (Pressão Arterial de Oxigênio), aumentando, assim, o sofrimento celular até que ele atinja um estado irreversível, evoluindo para uma falência multiorgânica.
Uma característica importante da hipotermia são as alterações eletrocardiográficas observadas durante a evolução do quadro, traduzidas em: bradicardia e comprometimento da função miocárdica, agravando-se durante a hipotermia severa.

Trauma

A hipotermia é uma situação frequente em paciente politraumatizado ou gravemente ferido, observada tanto no cenário do acidente quanto ao se dar entrada em sala de choque ou serviços de emergência hospitalar.
A origem da hipotermia se encontra focada na ação do trauma sobre o sistema termorregulador central, impedindo, assim, a produção de tremores que é o me­canismo primário e disparador para a produção do calor corpóreo. A hipotermia constitui uma das principais causas de mortalidade em politraumatizados principalmente quando associadas à "Tríade letal" (hipotermia, acidose e coagulopatia).
A maneira mais eficaz de restaurar o débito cardíaco e a perfusão aos órgãos alvos é o restabelecimento do retorno venoso aos padrões fisiológicos normais por meio da reposição volêmica, evitando, assim, o desenvolvimento da "Tríade letal" que pode estar associada a uma condição de risco de vida irreversível num quadro de hipotermia.
Os sinais de tremores, bem como o es­tado mental, vão depender dos níveis de temperatura corporal retal. ­Pacientes com hipotermia leve (temperatura central > 34ºC) irão apresentar tremores e alguma alteração em nível de consciência, sendo as principais a confusão e a lentidão. Quando a hipotermia presente cai de 34ºC a 30ºC, definida como mo­derada, os tremores poderão estar ausentes e o nível de consciência estará mui­to diminuído (inconsciente ou coma­toso). Nesta fase, poderá apresentar mi­dríase fixa, pulsos diminuídos ou ausentes e PAS (Pressão Arterial Sistólica) ­bai­xa ou inaudível. Poderá cursar com e­pisódios súbitos de arritmias, sendo a fibrilação atrial a mais frequente. Já abaixo de 30ºC, a fibrilação ventri­cular po­de estar presente junto ao de­senvolvi­mento da "Tríade letal", conse­quente­mente, resultando em óbito.
Um dos principais cuidados ao pacien­te hipotérmico durante o período pré-hos­pitalar consiste na prevenção da perda adicional de calor pelo corpóreo. Em pa­cientes hipotérmicos com rebaixamento de nível de consciência ou não responsivos após as medidas de ­Suporte Básico ou Avançado de Vida, a solução fisiológica com glicose a 5% deverá ser ad­ministrada de forma aquecida, ou seja, entre 40ºC a 43ºC com o paciente imóvel. Isto torna-se um desafio aos socorristas, pois, muitas vezes, o processo de aquecimento imediato da solução en­contra-se dificultado, agravando, assim, a condição do paciente. A maneira mais eficiente e fácil de prevenir uma hipo­ter­mia é a infusão de grandes volumes de cristaloides aquecidos com início de ime­diato em atendimento pré-­hospitalar.

João Roberto Mano, Marcello Luiz Carbonieri, João Marcos Encide e Ricardo Luis Portilho

fonte:http://www.revistaemergencia.com.br/site/content/noticias/noticia_detalhe.php?id=J9jaJ9jy&utm_campaign=Emerg%25EAncia%2BNews%2BEd.%2B25%252F11&utm_medium=email&utm_source=clients