Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Entrevista com o cardiologista Sergio Timerman - Simplificar para atender


Ao enfatizar a compressão torácica e simplificar o atendimento, as diretrizes de RCP 2010 abrem espaço para a atuação do leigo e para uma ação mais efetiva do profissional da saúde. No entanto, é preciso mais. O médico cardiologista Sergio Timerman, diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Instituto do Coração (INCOR), do Hospital das Clínicas em São Paulo, garante que não adianta a simplificação nem equipamentos se não houver treinamento tanto da população quanto dos próprios profissionais. Segundo o médico, esse deve ser um trabalho contínuo. Já existem algumas experiências, mas ainda há muito a ser feito no país. Espera-se que com as novas diretrizes, a ação venha salvar cerca de 100 mil vidas, por ano, na Europa e de 40 a 50 mil vidas a mais, no Brasil. A ideia é publicar este ano as diretrizes brasileiras, baseadas no consenso internacional do ILCOR (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação), porém adaptadas à realidade do país. Como professor, Timerman tem buscado mostrar aos alunos de Medicina e de saúde e a importância do profissional de emergência. "É um profissional mais completo, proque ele tem que atuar de uma maneira muito pronta nas mais diversas patologias clínicas ou cardiológicas. É por isso que eu sempre falo que quem sabe emergência, sabe como atuar em Medicina. A minha vida toda de pesquisa foi baseada nisto: emergência e ressuscitação".
Qual a sua avaliação sobre as diretrizes de RCP publicadas no ano de 2010?
Primeiro, é importante saber como as diretrizes de ressuscitação são desenvolvidas, o que ocorre a cada cinco anos. Elas se baseiam em um consenso entre as diretrizes europeias, norte-americanas, asiáticas e latino-americanas. Esse consenso internacional ocorre por meio da ILCOR (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitacão), que reúne instituições como a American Heart Association, o Conselho Europeu e o Conselho Asiático. Estamos na terceira diretriz, que é o resultado de uma análise profunda do que há de mais importante na Ciência da Emergência e Ressuscitação. As diretrizes têm grande impacto e importância na Medicina humana. No site da American Heart ou do Conselho Europeu, são sempre os itens mais procurados. Possuem uma seriedade em todos os sentidos, com análise do conflito de interesse e uma análise crítica no que há em termos de Ciência.
O Brasil tem se preparada de forma adequada, compreendendo bem as diretrizes?
As diretrizes devem falar ao profissional de saúde de uma maneira que simplifique a vida dele do ponto de vista do atendimento. O final dessa história é: vamos salvar mais vidas em relação aos cuidados cardiovasculares de emergência e parada cardíaca. Então, nessa última diretriz, houve uma preocupação com a simplificação. Diferentemente das outras, eu diria que essa diretriz não teve tantas modificações importantes, mas teve uma preocupação interessante: como vou fazer com que o profissional, rapidamente, entenda as modificações e implemente em seu país. O Brasil está sempre muito ávido a receber a informação. Ao mesmo tempo, temos profissionais que não fazem questão disso, o que é muito ruim. A nossa sociedade médica e conselhos de classe deviam questionar se o profissional está atualizado e exigir a atualização.

fonte: http://www.revistaemergencia.com.br/site/content/materias/materia_detalhe.php?id=AAjg