Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

NOTÍCIAS - Especialistas defendem difusão de técnica de primeiros socorros




Há 50 anos dois médicos norte-americanos descobriram que era possível reanimar um paciente com parada cardíaca por meio de massagens firmes e ritmadas sobre o coração. No país, cerca de 250 mil pessoas morrem por ano vítimas de paradas cardíacas ou cardiorrespiratórias, sendo o infarto a principal causa dessas mortes. De acordo com especialistas da Sociedade Brasileira de Cardiologia, esses números poderiam ser reduzidos a um terço se técnicas de ressuscitação fossem aplicadas rapidamente e de forma correta logo após os primeiros sintomas de parada cardiorrespiratória. Por esse motivo, profissionais do atendimento de urgência da rede de saúde pública defendem que noções de primeiros socorros deveriam ser ensinadas nas escolas a fim de que todos estejam preparados para agir em situações de emergência.
Cardiologista especializado em técnicas de ressuscitação, Sérgio Timerman conta que a chance de uma pessoa sobreviver a uma parada cardíaca no centro de uma cidade grande como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília é de apenas 2%. Para o especialista, é inviável para o serviço de atendimento de emergência ser acionado e chegar ao local em menos de 3 minutos, tempo considerado ideal para salvar a vida de pessoas com esse problema. "Mas se a população estivesse preparada para atuar no auxílio desses pacientes enquanto a ajuda especializada está a caminho, a chance de sobrevivência dessas pessoas seria três vezes maior", conta. "Um paciente inconsciente, sem respiração e sem batimentos cardíacos perde a cada minuto 10% de chance de sobrevivência. A partir do quarto minuto sem intervenção, sequelas neurológicas graves podem ocorrer. E quando chega a 10 minutos, a morte é praticamente inevitável", lamenta. De acordo com Timerman, a população como um todo deveria ser sensibilizada e treinada para socorrer as pessoas que passam por situações de risco. "O ideal é a formação de uma corrente de sobrevida", diz.

Exemplo de São Paulo

Um projeto norte-americano treinou funcionários do aeroporto de Chicago com orientações sobre primeiros socorros e agilidade do atendimento em situações de emergência. O resultado foi que, enquanto as chances de uma pessoa sobreviver a uma parada cardíaca dentro da cidade são de apenas 2%, se o incidente ocorrer dentro do aeroporto a possibilidade sobe para 55%. Baseado nesses resultados positivos, foi implementado treinamento similar para funcionários do Metrô de São Paulo. "Hoje, se uma pessoa passa por uma parada cardíaca em uma das estações de metrô da cidade, as chances de sobrevivência chegam a 35%", conta Timerman. O programa ainda está em fase de implementação. "A tendência é que esses resultados sejam ainda melhores e possam ser aplicados em outros estabelecimentos com grande circulação de pessoas."
Diretor de Promoção à Saúde Cardiovascular da SBC, Dikran Armaganijan, acredita que locais de grande população além de ter desfibriladores disponíveis, também deveriam disponibilizar pessoas treinadas . A proporção ideal é de duas pessoas treinadas a cada 100 indivíduos. "No momento de uma parada cardíaca, se o paciente for atendido nos três primeiros minutos, a possibilidade de sobrevivência é de 70%", conta. Armaganijan defende que noções de primeiros socorros deveriam ser ensinadas inclusive nas escolas a adolescentes e professores.

Atendimento de urgência

O tempo médio de chegada do Serviço de Atendimento Médico de Urgência do Distrito Federal, Samu, considerado o melhor do país, desde o primeiro contato telefônico até o atendimento local, é de 10 minutos. Apesar deste intervalo estar de acordo com os padrões de países europeus desenvolvidos, o coordenador-geral do Samu-DF, Rodrigo Caselli, admite que o ideal seria chegar em até três minutos para socorrer pacientes cardíacos. Mas, assim como Timerman, ele defende que alcançar atendimento nesse tempo é inviável. Diversos fatores como trânsitos, endereços incompletos e distância atrapalham o processo. "Por esse motivo a participação da população no atendimento aos pacientes é fundamental", diz Caselli. "Como o fator tempo é primordial para agilizar o atendimento a esses pacientes encaminhamos as motolâncias na frente. Enquanto isso um médico regulador também auxilia pelo telefone a pessoa que ligou para pedir o socorro a tomar as primeiras providências", explica. Com essa rede de pessoas envolvidas, o atendimento consegue ser realizado de forma mais efetiva.
Andrea Rodrigues é uma das médicas reguladoras do Samu que fazem atendimento ao telefone enquanto a equipe médica especializada está a caminho do socorro. Rodrigues diz que na grande maioria das vezes as pessoas não têm nenhuma noção de como agir para auxiliar o atendimento de seus amigos ou familiares e defende ser fundamental que os solicitantes estejam calmos e prestem atenção às instruções. "Outro dia orientei a filha de uma senhora de 80 anos que passava por uma parada cardíaca. Expliquei como fazer a massagem cardíaca. Ela entendeu, seguiu as instruções e estimulou o coração da mãe até a chegada da ambulância. E a senhora sobreviveu", conta.
Um problema sério enfrentado pela equipe do Samu são os trotes. Em agosto deste ano, foram registrados mais de 40 mil trotes, representando 35,6% das ligações. Segundo Caselli, grande parte dos trotes são logo percebidos. "Mas algumas vezes mandamos as equipes e quando chegam ao local não existe nenhuma ocorrência. Essa atitude irresponsável aumenta o tempo de espera de outra pessoa que realmente precisa de atendimento", lamenta.

Palavra de especialista

Um grave problema
A morte súbita, uma das principais causas de morte nos países industrializados, é um importante problema de saúde pública em vários países. A despeito dos protocolos e das diretrizes para o tratamento dessa situação, com raras exceções, a taxa de sobrevida das vítimas cujo evento ocorra fora do ambiente hospitalar continua baixa. O atendimento inicial às vítimas de parada cardiorrespiratória realizado de maneira rápida por leigos no local da ocorrência é capaz de melhorar essa taxa. Porém, apesar dos esforços de conscientização e treinamento, somente cerca de um terço dessas vítimas recebem esse atendimento. Recentemente, no Metrô de São Paulo, a taxa de sobrevida foi melhorada com a utilização do protocolo de ressuscitação cardiocerebral aliadas às orientações das diretrizes de 2005. Essa forma de atendimento para vítimas de morte súbita presenciada e com ritmo possível de reversão com choque elétrico é composta de três etapas: compressão torácica externa contínua; a utilização por socorristas de um protocolo diferenciado dos desfibriladores e uma abordagem pós-reversão mais agressiva com a realização de cateterismo e hipotermia. A interrupção da perfusão cerebral e cardíaca por meio da compressão sem interrupções durante o atendimento das vítimas é essencial para uma sobrevida livre de sequelas neurológicas. A ressuscitação cardiocerebral pode provocar modificações no atendimento subsequente com importante (cerca de 300%) aumento nas chances de sobrevida da vítima.
Sérgio Timerman é cardiologista membro da Sociedade Brasileira de cardiologia e diretor da Escola de Ciência da Saúde da Universidade Anhembi Morumbi de São Paulo.

FONTE: http://www.revistaemergencia.com.br/site/content/noticias/noticia_detalhe.php?id=JyjbAny4