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Romanos 8:28

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Pesquisadores vão ter dados completos sobre infarto no Brasil


Por dois anos, 25 hospitais brasileiros se comprometem a registrar informações completas sobre todos os infartos que atenderem, incluindo tempo entre o sintoma inicial e o primeiro atendimento, o tipo de medicação e procedimento adotado e também todo o trabalho de prevenção das doenças cardiovasculares. O objetivo é montar um banco de dados informatizado que mostre a realidade brasileira do setor, já que a Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC - credita as 315 mil mortes anuais por problemas cardiovasculares à carência de atendimento em certas áreas.
"As lacunas no atendimento são tão grandes, que acredita-se que 60% dos infartos que ocorrem na periferia de Belo Horizonte, por exemplo, não são atendidos nas duas horas após os primeiros sintomas, justamente a janela durante a qual o pronto atendimento multiplica a possibilidade de sobrevivência do paciente", afirma Jorge Ilha Guimarães, presidente da SBC.
A assinatura do convênio de parceria para a pesquisa acontecu na quarta-feira, dia 28, no Hospital do Coração, na rua Desembargador Eliseu Guilherme, 147, em São Paulo, e envolverá de um lado a SBC e do outro o Instituto de Estudos e Pesquisas da instituição. O coordenador do projeto é o cardiologista Luiz Alberto Mattos.
Para Jorge Ilha, a falta de uma pesquisa como a que será feita pelo projeto "Registros Brasileiros de Cardiologia - RBC" era uma lacuna que dificultava tanto a prevenção das doenças cardíacas, como a definição de políticas públicas de saúde, como também o tratamento. "Enquanto países como Inglaterra e Portugal comparam seus registros de eventos cardiológicos nos Congressos, para identificarem diferenças e otimizarem o atendimento, para reduzir ao mínimo a mortalidade por razões cardíacas", diz ele, "no Brasil as doenças cardiovasculares são campeãs de óbitos, matando mais inclusive do que todos os tipos de câncer somados".
O projeto RBC é uma das promessas com que a atual Diretoria da SBC foi eleita, e sua importância decorre do fato de que a estatística disponível é do SUS e indica apenas a mortalidade cardíaca na população atendida pelo sistema, o que deixa de fora mais de 30 milhões de pessoas atendidas por todos os hospitais privados. A SBC se queixa de que no Brasil só há registros sobre questões pontuais, como por exemplo da colocação de marcapassos, de "stents", mais recentemente, de casos de fibrilação atrial.
"A SBC divulga periodicamente as Diretrizes de atendimento, que orientam os médicos a como atender a um caso de suspeita de infarto, que exames pedirem, que tratamento ministrar em cada situação e como fazer o acompanhamento", diz Jorge Ilha, "mas só com os registros teremos o retorno necessário, saberemos quais as dificuldades que os médicos enfrentam, se eles contam ou não nos hospitais e Prontos Socorros com os recursos necessários para o atendimento".
E esses dados que começam a ser tabulados pela equipe especializada do Instituto de Pesquisas e Estudos do Hospital do Coração, sujeita a auditoria e que garante o sigilo das informações pessoais, é que vão servir de subsídio para a SBC, na discussão com as autoridades governamentais, a quem cabe definir as políticas de saúde pública e de prevenção. "É com esses dados que começam a ser coletados, verdadeira fotografia do que ocorre, que vamos mostrar ao Ministério da Saúde qual a medicação e os equipamentos que estão faltando, onde estão faltando, qual a necessidade de capacitação de pessoal. Problemas esses que, ao serem solucionados, vão fazer com que caia drasticamente o número de mortes por doenças cardiovasculares no Brasil".


fonte: http://www.revistaemergencia.com.br/site/content/noticias/noticia_detalhe.php?id=Jyy4Acja