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Romanos 8:28

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Funcionários do Samu sofrem em bairros violentos na BA

Quando o motorista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Saulo Silva (nome fictício) acelerou a ambulância rumo ao Nordeste de Amaralina, não imaginava que ele e sua equipe é que precisariam de socorro.
Há seis meses, a unidade na qual trabalha, na sede da Defesa Civil, na avenida Bonocô, foi chamada para atender uma vítima de arma de fogo no local. Quando chegaram, traficantes trocavam tiros. A equipe foi embora e Saulo ligou para a polícia. O saldo da ação policial foi um bandido preso e uma jura de morte. Os criminosos passaram a caçar Saulo nas ambulâncias da Samu.
Todos os veículos que entraram no Nordeste no ano passado foram revistados pelos bandidos. Sob ameaça, o motorista precisou trocar o volante por uma mesa em um dos escritórios do órgão.
Saulo é um dos muitos funcionários do Samu que diariamente trabalham sob a mira de revólveres. Segundo a Coordenação Municipal de Urgência e Emergência, ligada à Secretaria de Saúde, foram registradas 11 ocorrências de violência contra os socorristas este ano. Em 2009, foram cerca de 30 registros.
Vila Canária
"A situação piorou muito nos últimos dois anos. Carros são apedrejados e funcionários são intimidados com armas de fogo", disse Nair Amaral, coordenadora municipal de Urgência e Emergência. Foi o queaconteceu na madrugada da última sexta-feira, quando uma equipe foi à Vila Canária. O veículo foi interceptado e seis homens armados o revistaram por quase 30 minutos. Depois liberaram o grupo, com o aviso: "Se voltarem, serão recebidos a tiros".
Esta é a quinta vez que bandidos impedem uma ambulância de realizar atendimento. As outras ocorrências foram em São Cristóvão, Mussurunga, Calabar, Liberdade e Santa Cruz. No ano passado, o campeão foi o Nordeste de Amaralina, com cinco casos.

Socorristas atendem sem apoio policial em bairros perigosos

Uma médica do Samu, que prefere não se identificar, diz que a intimidação é comum, e as equipes frequentemente são recebidas por bandidos que fazem questão de mostrar as armas. "Eles vêm com as camisas abertas para mostrar as pistolas. Depois fazem um interrogatório", afirmou. Ela diz que, como os criminosos não deixam os socorristas entrar nas áreas dominadas pelo tráfico, familiares dos pacientes são obrigados a carregá- los até a ambulância.

Parada

Há seis meses, quando foi atender um homem vítima de parada cardíaca no Vale das Pedrinhas, sentiu- se ameaçada pela família. "Depois de 40 minutos tentando reanimar, vi que ele morreu. Como achei que podia ser agredida se contasse, falei que ele estava vivo e levei ele para o hospital", lembra.
Há um mês, uma equipe foi atender uma idosa em Santa Cruz. Foi interceptada por bandidos, que roubaram os celulares e o estetoscópio. Segundo o vice-coordenador do Samu, Jorge Serra, a população pensa que o órgão transporta policiais dentro das ambulâncias. "As pessoas precisam saber que não somos policiais nem bombeiros. Somos profissionais de saúde. Não vamos prender ninguém", afirmou.
Ele disse que, se a equipe se sentir ameaçada, não é obrigada a prestar atendimento. "Nosso lema é a segurança da equipe", ressalta. Jorge disse também que a situação melhorou na Santa Cruz após o Samu realizar palestras para esclarecer o papel do órgão para a comunidade.
O vice-coordenador também já foi vítima da violência. Em 2006, ele foi acionado para atender um chamado em Águas Claras, na periferia da cidade, onde haveria uma vítima de arma de fogo. Ao chegar ao local, não encontrou ninguém. De volta à sede do Samu, no Pau Miúdo, ele começou a receber ameaças. "Me ligavam, diziam que sabiam que eu era da Central de Regulação e que iriam me matar", lembrou.

Samu reclama suporte da Polícia Militar

A médica Nair Amaral, responsável pela Coordenação Municipal de Urgência e Emergência, disse que o número de ameaças aos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) deve ser maior do que indicam as estatísticas. "Muitos funcionários não falam por medo de retaliações", diz.
Uma das propostas de Nair é que a Polícia Militar garanta sempre um carro para acompanhar a equipe do Samu quando ela for a locais atender vítima de arma de fogo. "Acionamos a polícia, mas dizem que não têm viatura ou que o carro está sem combustível. Às vezes têm viatura, mas não têm policial".
Ela afirma que as campanhas para informar a comunidade são importantes, mas como o problema alcança toda a cidade, a iniciativa sozinha é inviável. Na quinta-feira, 13, o secretário municipal de Saúde, José Carlos Brito, se reúne com representantes da Secretaria de Segurança Pública e da Guarda Municipal para discutir o assunto.

fonte: http://www.revistaemergencia.com.br/site/content/noticias/noticia_detalhe.php?id=AQyJAQ