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Romanos 8:28

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Dos serviços de emergência, Samu sofre mais com trotes


Os serviços de emergências foram criados justamente para casos onde o tempo para o atendimento deve ser mínimo. Porém, muita gente ainda faz mau uso dos telefones que são destinados a esse tipo de ação. Em Bauru, levantamento realizado pelo Jornal da Cidade, somando ligações erradas, pedidos de informações, enganos e trotes, as chamadas que apenas ocupam as linhas de emergência chegam a 21% dos telefonemas feitos ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Polícia Militar (PM) e Corpo de Bombeiros também sofrem com o problema.
De acordo com a diretora de enfermagem do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Laudicéia Crivelaro, no primeiro mês de funcionamento do Samu, em janeiro de 2005, o serviço registrou 57% de trotes. “Começamos a fazer um trabalho de conscientização e chegamos a 22%. Atualmente, esse percentual é de 11%”, destaca.
Para ela, uma das principais ações que contribuíram para a redução dos trotes foi o Projeto Samuzinho, onde crianças frequentam a sede do serviço e aprendem noções de primeiros socorros, cidadania, trabalho em equipe e valorização do serviço público. Porém, esse percentual ainda está longe do ideal. Para Laudicéia, o número de trotes deve ser reduzido a 5%.
A diretora também destaca que muitas chamadas atendidas pelo 192 são pedidos de orientações médicas. “São chamadas que não geram saída de ambulância, mas que acarretam uma melhora ao paciente. Geralmente perguntam sobre medicação e depois são orientados a procurar uma unidade básica de saúde”, observa.
Em outros casos, a ambulância é despachada, mas o paciente não precisa ser levado a uma unidade de urgência e emergência. “Casos com pacientes com alteração de glicemia, por exemplo”, observa a diretora. Já entre as ligações contabilizadas como engano (veja ao lado), estão as de pessoas que ligam e perguntam outros telefones.
Já no Corpo de Bombeiros, das 500 ligações que o serviço costuma recebediariamente, 100 são consideradas trotes. Entram nesse cálculo ligações que deveriam ter sido feitas para outros números de emergência, pedido de informações e até tentativas de arrumar uma carona.
“Recebemos, por exemplo, chamadas afirmando que a pessoa sofreu uma fratura e, ao chegarmos no local, constatou-se que era um machucado antigo. Na verdade, a pessoa queria ser levada a um posto médico, para uma consulta. Também teve gestante que ligou dizendo estar em trabalho de parto só para conseguir transporte até o posto onde faria exame pré-natal”, explica o tenente Cláudio Augusto Antunes da Silva, oficial do serviço operacional dos Bombeiros de Bauru.
Na Polícia Militar, nos últimos 6 meses, 17% das ligações da área do 4.º Batalhão da PM do Interior (BPMI), que chegam ao 190 são trotes. De acordo com o capitão João da Costa Duarte, nessa conta entram todas as chamadas que não são emergências policiais. Desde pessoas querendo telefones de serviços públicos até atendimentos que seriam de outros órgãos. “Até pessoas sozinhas, que querem um amigo para conversar”, conta o capitão.
Considerando que o Centro de Operações da PM (Copom) recebe milhares de ligações diárias - até as 17h30 de anteontem haviam sido contabilizadas 1,6 mil chamadas das regiões de Bauru, Lins e Jaú - o número de telefonemas errados é alto. “Quanto melhor utilizado o serviço de urgência, mais rápido e eficiente será o atendimento”, ressalta Costa Duarte.



Férias

O período de férias escolares está terminando para o alívio dos atendentes de serviços de emergência de Bauru. Samu, Bombeiros e PM afirmaram que o número de trotes aumenta sensivelmente nessa época do ano. “A maioria faz piadinha, brincadeiras. Mas as crianças maiores tentam informar sobre ocorrências falsas. Os atendentes começam a perguntar e acabam detectando a mentira”, afirma Laudicéia Crivelaro, diretora de enfermagem do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde.
O risco de uma chamada real de emergência não ser atendida é grande e já aconteceu. De acordo com Laudicéia, em uma ocasião, uma viatura foi deslocada para o endereço indicado, era trote e houve um acidente real em outro local. “O atendimento demora e isso coloca vidas em risco”, ressalta. Ela destaca que na metade das ligações de trote, uma viatura acaba sendo despachada para o endereço, gastando tempo dos médicos e enfermeiros, além do dinheiro público.
Silva concorda. “O maior problema é que se ocupa uma linha de emergência e, se o atendente não percebe que é um trote durante a triagem, acaba deslocando uma viatura e isso pode comprometer uma emergência de fato. Além disso, há todo o desgaste da equipe, que sai tensa para uma ocorrência tem que voltar. Fora o desperdício de dinheiro”, destaca.
Para evitar problemas, alguns números de telefones que costumeiramente são utilizados pelos desocupados para passar trotes são “bloqueados” pelo sistema do Samu. “Quando a ligação entra na rede, ao lado aparece um alerta de que se trata de um telefone que costuma passar trote”, afirma.


• Serviço

Telefones dos serviços de emergência: Samu - 192, Bombeiros - 193 e Polícia Militar - 190.

fonte: http://www.jcnet.com.br/detalhe_geral.php?codigo=175462