Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

sábado, 26 de dezembro de 2009

Novas diretrizes sobre Ressuscitação Cardiopulmonar serão publicadas em 2010


As diretrizes da ILCOR (Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação) só serão finalizadas em outubro de 2010, mas algumas novidades já foram adiantadas pela Socesp (Sociedade de Cardiologia de São Paulo). A principal delas é a constatação de que a massagem cardíaca aplicada sozinha, sem a respiração boca a boca, é mais eficaz do que quando os dois métodos são intercalados, principalmente, nos 10 minutos iniciais do atendimento a uma parada cardíaca.

Estudos norte-americanos apontam que, quando se usou somente a compressão torácica, a taxa de sobrevivência foi, em média, três vezes maior. “Em outubro do ano que vem sai o consenso. No início de novembro, as diretrizes americanas, europeias e mundiais. A partir disso, os novos materiais de ensino de suporte básico e suporte avançado. A ideia é que eles sejam simultaneamente traduzidos para diversas línguas, entre elas, o português, mas queremos iniciar um processo de implementação mesmo antes da diretriz”, explica o diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do Incor (Instituto do Coração), Sérgio Timerman.
Essa ação já começou com o 1º Simpósio de Emergências Cardiovasculares e Ressuscitação, realizado no final de outubro, em SP, pela Socesp. “Esse evento é fundamental para iniciar a discussão, o movimento de inserção do profissional de saúde e as mudanças, mostrando que nós devemos incorporar isso e que existe uma dinâmica”, avalia Timerman.
A ênfase na compressão torácica também é vista como uma forma de possibilitar a ação não profissional. “O número de compressões vai aumentar e vai facilitar o ensino da RCP para leigos, porque é compressão contínua. É mais fácil”, avalia o professor e especialista em Fisiologia, Waltecir Lopes. Além disso, enfatiza que as compressões contínuas promovem uma maior perfusão (circulação) das coronárias, aumentando a sobrevida do paciente.
Outra recomendação que já está sendo delineada é sobre o método de ressuscitações.
Segundo o cardiologista Agnaldo Pispico, o uso de 200 compressões, seguida da análise do ritmo, até completar 600 compressões, para somente depois cuidar das vias aéreas, ainda depende de discussões. “É uma forte evidência, mas ainda não temos certeza se isso vai emplacar como uma recomendação”, avalia.
Já o cardiologista Manoel Fernandes Canesin destaca que o trabalho em equipe também será ressaltado. “É algo que começou em 2005 e vai ser destacado em 2010. Para atender uma emergência, você precisa ter um treinamento em equipe e não um treinamento isolado, como era feito antigamente”, diz Canesin.
Outras questões importantes para o suporte avançado são a realização da hipotermia pós-parada e a necessidade de ter unidades de terapia intensiva especializadas em paradas cardiorrespiratórias. Em relação aos desfibriladores, o destaque fica para os bifásicos, que tem algumas vantagens em relação ao tamanho, peso, tecnologia e são mais baratos. No entanto, nenhum estudo mostrou melhora na sobrevida ao compará-los com os monofásicos.



Fonte: Revista Emergência, Edição 18 - 14/12/2009