Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Urgência no vôo


Desde a década de 50 do século passado, sabe-se que a desfibrilação é tre-
mendamente eficaz em reversão de paradas cardíacas. O desafio era levar a
vítima até instalações hospitalares para o uso de cardioversores e manobras in-
vasivas com o objetivo de ressuscitar as vítimas em risco iminente de morte.
Com os parcos recursos que qualquer sociedade dispunha, tornava-se inviável
disponibilizar em cada “esquina” um hospital.
As pesquisas tiveram um salto em resultados e a premência de desfibrila-
ção imediata para obter melhores chances de sobrevivência tornou-se cada vez
mais evidente. Se a partir dos anos 70, indivíduos não médicos passaram a ser
treinados em Ressuscitação Cardiopulmonar, por que não disponibilizar um
desfibrilador para profissionais não médicos que são provavelmente os indi-
víduos que acionarão o EMS? Afinal, de cada dez vítimas de parada, oito estão
em fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, ambos ritmos re-
versíveis com o uso de desfibrilação.
DESAFIO
O desafio a esse propósito esbarrava nos riscos a vítimas e socorristas em
aplicar choques indevidos com cargas elevadas, uma vez que interpretar ECGs
e adequar cargas de choque são tarefas demasiadamente complexas para tão
pouco tempo de treinamento e avaliação. Da última década do século XX,
um tremendo esforço entre a indústria, pesquisa, universidades, instituições
médicas, centros de engenharia eletrônica, entre outros, resultou em apare-
lhos hoje conhecidos como DEAs (Desfibriladores Externo Automáticos) que
são capazes de interpretar o ritmo elétrico do coração de uma vítima e, a-
pós, encontrar ritmos chocáveis, recomendar choques que podem reverter
paradas. Cidades onde programas de First Responders foram implantados jun-
to com políticas de desfibrilação, tiveram saltos espetaculares em índices de
ressuscitação e sobrevivência de vítimas.

SEGURO
Para um comissário de vôo, o Desfibriador Externo Automático é um aparelho
emendamente seguro. Dentro de uma avaliação inicial (ABCs), são necessários
assos básicos para a operação do aparelho. A grande maioria dos modelos dispo-
íveis no mercado dispõe de um botão para ligar, pás adesivas que são conectadas
o aparelho e coladas na pele do tórax esnudo da vítima, análise automática ou
otão para analisar e, finalmente, um botão para aplicação do choque. Mas a ga-
antia da segurança dos DEAs utilizados em aeronaves depende da atuação das
quipes de comissários. Cuidados com o local para o atendimento e inspeções viuais em toda a operação evitam riscos e contato com vítimas durante a desfibri-
ação. Não há a necessidade em treinar os tripulantes em interpretação de ECGs (Eletrocardiograma), pois a maioria dos modelos de DEAs registram internamente
o ECG e apenas projetam comandos escritos em telas de cristal líquido, conten-
do instruções de choque recomendado ou não recomendado, além de instruções verbais emitidas por mensagens pré-gravadas Nos relatos divulgados por companhia
estrangeiras, há diversas histórias com finais felizes de vítimas atendidas adequadamente que puderam sobreviver e, gradativamente, retomar suas rotinas. No Bra
sil, ainda temos vítimas que teriam melhores chances se houvesse um sistema d
serviços de emergências médicas capacidade disponibilizar DEAs em todas aeronave
de companhias que atuam em nosso território, além da presença de unidades de
suporte avançado em cada aeródromo.
ACOMPANHAMENTO
Apesar de todo o treinamento e avaliação periódica que os comissários de vôo
necessitam, as emergências não ocorrem todos os dias. Na verdade, se comparadas
aos números de pousos e decolagens, e ao número de horas de vôo de um tripu-
lante, emergências reais são bem raras. Felizmente, o Brasil mantém excelentes ní-
veis de segurança em transporte aéreo regular. Porém, a experiência de deparar-
se com óbitos a bordo, lesões que acometem crianças, vítimas que lembram entes
queridos gera estresse e sentimentos de verdadeiro luto para os comissários de
vôo.
mais informações: http://www.revistaemergencia.com.br/novo/imgbanco/imagens/Re-Edição3PDF/Artigo%20Desfibrilação%20na%20Aviação.pdf