Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Romanos 8:28

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

70 anos sem Freud, por Anette Blaya Luz


Completam-se hoje 70 anos de morte de Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Nascido em Freiberg em 6 de maio de 1856, morreu em Londres às 3h da manhã do dia 23 de setembro de 1939, aos 83 anos. Manteve o controle de sua vida até o final. Encarou a morte com dignidade e sem autopiedade, conforme palavras de um de seus biógrafos, Peter Gay, que se refere a ele como “o velho estoico”.

A pedido de Freud, que estava exausto de lutar contra um câncer que o torturava havia mais de uma década, Max Schur, seu médico particular, aplicou-lhe uma derradeira dose de morfina, fazendo com que entrasse em um coma do qual não mais despertaria.

Descansava para a eternidade este que foi um dos homens mais importantes do século passado, cujas ideias seguem influenciando sobremaneira o pensamento da civilização atual. Mas suas ideias ficaram transitando entre nós também para a eternidade, pois não se pode imaginar hoje alguém que não saiba, por exemplo, que existe algo em nós chamado inconsciente.

A América existia muito antes de Cristóvão Colombo descobri-la. Tanto isto é verdade, que era habitada por inúmeras tribos de índios. O que Colombo fez foi torná-la conhecida. Freud, da mesma forma, não descobriu o inconsciente. Os poetas já o conheciam há muito tempo e nós mesmos já visitávamos nossos inconscientes toda vez que sonhávamos à noite.

Mas foi Freud quem deu nome ao inconsciente e descreveu sua importância nos destinos de nossos impulsos e desejos, portanto nos destinos da humanidade. Não somos tão senhores de nós mesmos como gostaríamos de crer. Nosso inconsciente é um fator fundamental na nossa constituição como sujeitos inseridos numa sociedade.

É importante lembrar a resistência que Freud encontrou quando propôs a importância da vida inconsciente, dos desejos edípicos e de nossas furiosas agressividades, tão poderosamente ocultas nas profundezas de nossa alma inconsciente.

Juntamente com Darwin, que revelou nossa ancestralidade primata, e com Copérnico, que nos tirou a ilusão de sermos o centro do Universo com sua teoria heliocêntrica, Freud também mostrou nossa pequenez frente às nossas pulsões inconscientes. Quem hoje em dia não sabe que tem um complexo de Édipo, para tomar somente um exemplo da grande influência que as teorias freudianas exercem no nosso cotidiano?

A grande maioria das orientações psicopedagógicas, das terapias dirigidas ao insight, se origina das teorias freudianas. Como acontece com os grandes homens, não temos mais Sigmund Freud vivendo entre nós, mas convivemos todos os dias com suas imortais ideias, teorias e ensinamentos.



fonte:http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2662266.xml&template=3898.dwt&edition=13177§ion=1012